A.

Administração pública municipal
Collectivité locale ou territoriale / Administración
local (municipio) o territorial / Local and regional government
Na França, circunscrição administrativa que tenha
uma pessoa jurídica. Parte do território de um Estado
que possui uma certa autonomia administrativa: comunas, departamentos,
regiões, territórios ultramarinos.
Na América Latina, quando o governo é descentralizado,
a idéia de administração local é associada
exclusivamente à administração dos municípios.
Pode referir-se a uma unidade administrativa (município) ou a
uma associação de municípios.
Afastamentos
Aglomeração urbana
Agglomération urbaine / Aglomeración urbana / Urban
center
Conjunto de ocupações humanas que dispõem das principais
funções ligadas à vida urbana (administração,
economia, transporte, cultura, educação), geralmente composto
de uma ou duas cidades e suas periferias.
Arquiteto
chefe dos monumentos históricos
Architecte en chef des monuments historiques / Arquitecto jefe de
monumentos históricos / Chief Architect in charge of historic
monuments
“Grupo de arquitetos especializados na restauração
de monumentos históricos”, cuja administração
foi criada em 1840 pelo Estado francês. Hoje, cada arquiteto é
concursado e encarregado de uma circunscrição. Sua missão
é de realizar as tarefas necessárias à proteção
dos edifícios, a conservação e a valorização
dos monumentos históricos. Encarregam-se dos estudos preliminares,
e do acompanhamento das obras de restauração dos imóveis
tombados pertencentes ao Estado.
« La protection des sites et monuments et
la mise en œuvre des ensembles urbains à conserver »,
Contribution au Rapport National pour Habitat II, Istanbul, 1997.
Arquiteto de edifícios da França
Architecte de bâtiments de France (ABF) / Arquitecto de edificios
de Francia / Architect of French Buildings
Este grupo de funcionários arquitetos foi criado em 1946 para
controlar a evolução do ambiente dos monumentos, quando
a noção de "entorno" (definida por um raio de
500 metros em torno do monumento) é inscrito na lei (1943). Designados
para o serviço departamental de arquitetura e do patrimônio,
sua missão é de zelar pela aplicação da
legislação sobre a arquitetura e o urbanismo que regulam
os monumentos históricos, os sítios e paisagens, os setores
salvaguardados, o patrimônio arquitetural, urbano e paisagístico.
Eles zelam pela qualidade da arquitetura no setor do qual se encarregam.
« La protection des sites et monuments et
la mise en œuvre des ensembles urbains à conserver »,
Contribution au Rapport National pour Habitat II, Istanbul, 1997.
Arquitetônico
Architectonique / Arquitectónico / Architectonics
Arte e técnica da construção.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Arquitetura
Architecture / Arquitectura / Architecture
Expressão concreta do espírito que imagina com arte a
organização do espaço, com vistas a favorecer a
evolução física e espiritual do homem e da sociedade,
responder às suas aspirações, e que se traduz pela
criação de formas, de volumes, pela escolha de materiais
e suas cores.
« Vocabulaire international des termes d’urbanisme
et d’architecture », Henri-Jean Calsat et Jean Pierre Sydler,
Société de diffusion des techniques du bâtiment
et de travaux publics, 1ère édition, 1970.
Arte
de inventar lugares onde o ser humano é capaz de amar e ser amado,
lugares de compartilhamento e de troca onde as sensações
visuais e táteis são suscetíveis de provocar a
emoção e a tentação, a vertigem e a meditação.
A arquitetura envolve nosso ser a cada instante, e a cada passo, em
cada movimento, entre presente (cotidiano), passado (memória),
futuro (posteridade). A arquitetura é a nossa segunda pele.
Fréderic Borel, architecte, participando
do seminário Sirchal 3, Santiago-Valparaíso, maio 1999.
Termo
que designa globalmente as construções que, desde tempos
remotos, por intermédio de relações e de poder,
e graças à sua resistência às adversidades
do tempo, têm representado um papel essencial, como suporte da
memória e dos valores simbólicos que constituem a identidade
cultural das sociedades.
« The Eternal Present », Sigrid Giedion,
, New York, 1962.
Arquitetural
Architectural / Arquitectural / Architectural
Relacionado à arquitetura, que traz em si o caráter, a
qualidade, a expressão, a forma.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Arraial, aldeia
Bourg / Pueblo / Bourg
Ocupação rural, lugar de trocas e de comércio das
cidades vizinhas.
«Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Povoação não permanente de romeiros, com comércio
de comestíveis, jogos e diversões etc.. Povoado transitório
de trabalhadores, especialmente de atividades extrativas (garimpo, minas
etc.). Local onde são realizadas festividades populares.
« Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa », Antônio Houaiss e Mauro de Salles Villar,
Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da
Língua Portuguesa S/C Ltda., Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Autenticidade
Authenticité / Autenticidad / Authenticity
Caráter de veracidade e conformidade com a origem de uma realidade.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
A
conservação do patrimônio histórico, sob
todas as suas formas e épocas, encontra sua justificativa nos
valores que se atribui a este patrimônio. A percepção
mais exata possível desses valores depende, entre outros, da
credibilidade das fontes de informação a seu respeito.
Seu conhecimento, compreensão e interpretação em
relação às características originais e subseqüentes
do patrimônio, à sua evolução histórica
e à sua significação, constituem os parâmetros
de autenticidade de uma obra e concerne tanto à forma quanto
à matéria dos bens em questão.
« Document de Nara sur l’authenticité »UNESCO,
ICCROM, ICOMOS,1995.
B.

Bairro
Quartier / Barrio / Quarter
Fração do território de uma cidade, dotada de uma
fisionomia própria e caracterizada por traços distintivos
que lhe conferem uma certa unidade e individualidade. Em alguns casos,
o nome do bairro pode ser dado a uma divisão administrativa de
uma cidade, mas o mais comum, é o bairro ser independente de
todo limite administrativo. Fala-se ainda em bairro para designar a
comunidade de habitantes de uma parte da cidade.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay , Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Bens de interesse municipal
Biens d' intérêt municipal / Bienes de interés
municipal / Assets of local interest
São os bens arquiteturais, espaciais, vegetais ou de equipamento
urbano, revestidos de um caráter documental, que servem de testemunho
ao desenvolvimento de uma cidade, possuidores de qualidades estéticas,
históricas e ambientais notáveis, e que contribuem para
a identidade desta cidade.
Bem que, se referente a bens individuais, no caso de elementos vegetais,
pode se aplicar, por extensão, aos conjuntos vegetais ou grupos
de árvores significativos e específicos a certos setores
da cidade.
Gustavo Aller, architecte, Montevideo, Uruguay,
participou do seminário Sirchal 3, Santiago-Valparaíso,
maio 1999.
C.
Cadastro
Cadastre / Catastro / Land Register
Registro público de bens imóveis de um determinado território.
O cadastro é o conjunto de documentos que fornecem a informação
sobre o "registro civil" de terrenos e imóveis (parcelamentos,
identidade do proprietário), a fim de estabelecer as bases de
taxação.
A partir de três arquivos (propriedade não edificada, propriedade
edificada, proprietários), são estabelecidas as matrizes
cadastrais (na França elas estão disponíveis nos
escritórios do cadastro e nas prefeituras). Estas matrizes constituem
uma base de dados para se estabelecer a composição de
dois impostos prediais e territoriais locais :sobre as propriedades
edificadas e as não edificadas. Há essencialmente um objetivo
fiscal, mas por meio da informatização dos arquivos, o
cadastro pode se tornar um instrumento útil para a gestão
urbana, a economia de serviços públicos e o planejamento
rural.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Conjunto
de documentos elaborados a partir de levantamentos topográficos
e de operações administrativas, que permitem definir a
delimitação de propriedades fundiárias em um território,
a identificação da natureza de seus produtos e a avaliação
de seus rendimentos. Conjunto de documentos que caracterizam parcelamentos
territoriais, e que servem sobretudo para definir o imposto predial
e territorial. Por extensão, é a administração
fiscal encarregada de atualizar e conservar os documentos do cadastro.
« Dictionnaire Le Nouveau Petit Robert »,
1999.
Caderno de encargos
Cahier de charges / Pliego de especificaciones o condiciones / Specifications
Documento contratual estabelecido para cada uma das partes que compõe
o processo de licitação ou contrato de prestação
de serviços a que se submete o empreiteiro, e tem como objetivo
de especificar as condições e responsabilidades a serem
respeitadas na execução de uma obra.
Capital
Capitale / Capital / Capital city
Principal cidade de um Estado ou de uma província que é
ou foi a sede do governo ou da administração estatal.
« Vocabulaire International des termes d’Urbanisme
et d’Architecture », Henri-Jean Calsat et Jean Pierre Sydler,
Société de diffusion des techniques du bâtiment
et de travaux publics, 1ère édition, 1970.
Carta de Atenas
Charte d´Athènes / Carta de Atenas / Athens Charter
Nome dado à carta de urbanismo que resume a doutrina dos Congressos
Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM), e que contém as
conclusões do IV CIAM sobre "A cidade funcional", realizado
em Atenas em 1933.
De
um lado ela condena irremediavelmente a cidade contemporânea e,
de outro, ela expõe e propõe a cidade modelo, organizada
segundo o urbanismo progressista.
Este texto exerceu e ainda exerce, principalmente nos países
em desenvolvimento, um impacto único neste gênero, imprimindo
a sua marca no planejamento do espaço no mundo inteiro.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay , Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Carta de Granada
Charte de Grenade / Carta de Granada / Granada Charter
Redigida em 1987, mais de vinte anos depois da Carta de Veneza, (1964),
a Carta de Granada respeita os mesmos princípios da carta anterior
mas claramente vai mais longe. Podemos ler no artigo 10º: “
No caso de lugares onde se faz necessária a transformação
de edificações ou a construção de novas,
toda intervenção deverá respeitar a organização
espacial existente, principalmente seu parcelamento e sua escala, de
forma a revelar a qualidade e o valor do conjunto das construções
existentes. A introdução de elementos de caráter
contemporâneo, à condição de não prejudicar
a harmonia do conjunto , pode contribuir ao seu enriquecimento ”.
Mesmo que estes textos se mostrem prudentes, eles preconizam soluções
diversas às do “ mimetismo arquitetural ”. Algumas
delas se referem à noção, essencial mas de difícil
definição, de “ harmonia de conjunto ”, mas
é importante constatar que não contentam-se em “
tolerar ” incursões contemporâneas no conjunto patrimonial.
Elas são vistas como um potencial enriquecimento dele mesmo.
Extrait du dossier « Mémoire et Projet
», DAPA/MCC, synthèse des travaux du groupe de réflexion
animé par Joseph Belmont, 1997.
Carta de Veneza
Charte de Venise / Carta de Venecia / Venise Charter
Carta internacional sobre a conservação de monumentos
e sítios históricos, redigida em 1964 por ocasião
do segundo congresso internacional de arquitetos e técnicos de
monumentos históricos e foi adotada em 1965 pelo Conselho Internacional
de Monumentos e Sítios (ICOMOS), dando prosseguimento, em 1987,
com a carta de Granada sobre as cidades históricas.
Estes dois documentos de referência apresentam como princípio,
em nome da autenticidade e legibilidade do patrimônio, que toda
intervenção em um monumento, ou toda construção
no âmbito do conjunto histórico deve realizar-se levando
em conta uma preocupação maior de integração,
mas igualmente com uma intenção constante de veracidade
. Por isso que a Carta de Veneza preconiza , no seu artigo 12º:
“ Os elementos destinados a substituir as lacunas devem se integrar
harmoniosamente ao conjunto, distinguindo-se das partes originais, a
fim de que a restauração não falsifique o documento
de arte e história ”.
Extrait du dossier « Mémoire et Projet
», DAPA/MCC, synthèse des travaux du groupe de réflexion
animé par Joseph Belmont, 1997.
Centro da cidade
Centre ville / Centro, corazón de la ciudad / City center
Importante lugar de encontro, ponto de convergência e irradiação,
onde as atividades urbanas se produzem e alcançam sua maior intensidade,
de onde elas emanam propagam e exercem sua influência.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Centro, distrito, bairro, histórico
Centre, district, quartier, historique / Centro, distrito, barrio,
histórico / Historic center, district, quarter
Núcleo de formação de uma cidade de caráter
evolutivo. Em certos casos, o centro histórico de uma cidade
pode ser reduzido a alguns monumentos simbólicos, em outros,
pode coincidir com quase toda a aglomeração urbana. Esta
noção recente pode abranger realidades bem diversas.
A delimitação espacial do centro histórico é
facilitada no caso das cidades de pequeno porte, que tenham expandido
pouco ou que o desenvolvimento moderno é periférico, como
no caso das cidades cercadas por muros, sítios naturais, ou de
localidades formadas por uma edificação. Esta delimitação
é, ao contrário, difícil no caso das cidades grandes
formadas por períodos históricos múltiplos, em
que os remanescentes são fragmentados, e onde os conjuntos urbanos
do século XIX podem ser legitimamente considerados como históricos.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay, Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
No
que concerne à proteção de contextos históricos,
é indispensável compreender que “ o modo no qual
intervimos sobre eles está relacionado diretamente com a maneira
que os interpretamos ”. Os contextos históricos na Europa
se inserem, a partir daí, como recursos fundamentais paisagísticos,
econômicos e da vida no âmbito da cidade, enquanto que em
certos lugares da América Latina, sua proteção,
dentro de zonas urbanas privilegiadas, é percebida como um freio
às mudanças e ao desenvolvimento. Opõem-se as teorias
econômicas dominantes e o conceito histórico, enquanto
recurso, compreendendo ao mesmo tempo valores sociais e econômicos.
Os contextos históricos podem ser considerados como valores únicos
que devem ser mantidos como tal ou como sendo uma parte da cidade que
se transforma ao longo do tempo.
« Contextos históricos : problemas
e alternativas », Alfonso Govela, arquiteto italiano, intervenção
por ocasião do seminário « Conservação
de contextos históricos urbanos »”, URBAL, rede 2,
Europa - América Latina, Vicenza, maio de 1998.
Entre aspas citação do texto de Macchi Cassia, Cesare,
« Planos Especiais, Catalogação de bens culturais
e cidade histórica », Jornada sobre o planejamento de centros
históricos, prefeitura de Ségovie, Instituto de Urbanismo
da Universidade de Valladolid, Espanha, 1991.
Certificado de Urbanismo
Cidade
Ville / Ciudad / Town
Aglomeração caracterizada pelos seguintes critérios
:
a) de número (densidade, importância) ;
b) de gênero de vida (atividades, relações) ;
c) de dependência (abastecimento e difusão) ;
d) de aspecto (edifícios, equipamento, organização).
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
As
cidades são um produto do tempo... Ao mesmo tempo um bem físico
da vida social e um símbolo dos movimentos coletivos…
« La culture des villes », Lewis Munford.
A
cidade não é certamente uma justaposição
de gestos monumentais, muito menos uma soma de arquiteturas, nem ainda
uma confrontação de estilos, sejam eles antigos ou contemporâneos.
A cidade é um patrimônio vivo cujo tecido normal constitui
um elo essencial e necessário que confere a cada cidade sua identidade.
Trecho do texto de François Barré,
antigo diretor de Arquitetura e Patrimônio, prefácio do
livro « Les secteurs sauvegardés », DA/MCC, 1998.
A
cidade é tanto o fruto do acaso como da necessidade. Ela é
o lugar, por excelência, da aprendizagem de valores compartilhados.
Viver a cidade é tanto um ato imaginário quanto político.
Texto de François Barré, diretor de
Arquitetura e Patrimônio, filme « La beauté de penser
», ARTV Chili /INA France, 1999.
A
cidade é múltipla, heterogênea. Ela não tem
uma História mas histórias, assim como ela não
tem uma memória mas memórias, diversas e não hierarquizáveis,
estratificadas ou justapostas. Cada intervenção que projetamos
sobre ela deve ser marcada por traços do passado que, desde já,
contém pelo pouco que saibamos ler o invisível desenho
do projeto futuro.
« Dossier Mémoire et projet »,
revista Urbanisme n° 303, Bernard Huet, arquiteto e urbanista, dezembro
de 1998.
O
estudo aprofundado da constituição e evolução
da estrutura urbana, de sua implantação no sítio,
de seus traçados, de seus parcelamentos, permite a compreensão
da forma atual da cidade e das linhas de força de seu desenvolvimento.
« Les secteurs sauvegardés »,
DA/MCC, 1998.
Mas,
mesmo conservada, a cidade não é, e não pode ser,
um objeto de contemplação. Pela sua complexidade, pela
multiplicidade de interventores e funções, ela se desloca
e se transforma apesar de toda e qualquer medida de proteção.
Alexandre Melissinos, contribuição
ao grupo de reflexão « Mémoire et Projet »,
DAPA/MCC, 1997.
Civilidade
Civilité / Civilidad / Civility
O termo civilidade é indissociável daquele de “
civilização ”. Refere-se a comportamentos e modos
de fazer codificados que revelam uma certa concepção da
existência social. No contexto francês dos anos 90, é
freqüentemente associado à “ urbanidade ”. Juntos,
eles constituem valores fundamentais aos quais tendem as sociedades
urbanas por regulações e ajustes progressivos. Se a urbanidade
qualifica ao mesmo tempo o cidadão moderno e seu espaço,
a civilidade surge de um código de conduta predominante nos relacionamentos
interpessoais.
Entendemos então por civilidade a forma de gerar uma relação
social apoiada sobre o respeito ao próximo que permite, assim,
a coexistência de diferenças sociais, étnicas, de
gerações.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay , Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Coeficiente de aproveitamento (CA)
Coefficient d´occupation des sols (COS) / Factor de ocupación
del suelo (FOS) / Land use ratio (LUR)
O coeficiente de aproveitamento do solo é a regra do urbanismo
que define a densidade da construção autorizada dentro
de uma mesma "zona" de um plano de ocupação
do solo.
Ele compreende a área que pode ser construída por metro
quadrado de terreno (a área da edificação existente
será sempre deduzida da área em potencial de construção).
Este limite máximo, porém, não é uniforme
pois uma mesma zona pode apresentar coeficientes de aproveitamento do
solo diferentes de acordo com a natureza ou destinação
das construções. Cada zona pode ainda ser dividida em
setores de ocupação com coeficientes específicos.
O resultado econômico deste coeficiente permite às autoridades
competentes de exercer uma forte influência sobre os valores dos
terrenos.
Dentro de condições estabelecidas pela regulamentação
do plano de ocupação do solo, o CA pode ser ultrapassado,
seja em razão de prescrições de arquitetura ou
de urbanismo, seja pela existência de projetos que visem aumentar
a capacidade dos equipamentos coletivos.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay , Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Potencial
construtivo de uma parcela. Determina a área líquida máxima
de uma edificação em um terreno definida pela multiplicação
do coeficiente de aproveitamento (CA) pela área total do terreno.
Concertação
Concertation / Concertación / Joint action
Concertar, agir em acordo. Confrontação de idéias
e troca de informações tendo em vista uma ação
comum. Busca em cooperação, por meio de uma discussão
anterior à decisão, de um entendimento visando uma certa
ação.
« Vocabulaire de la philosophie et des sciences
humaines », Louis-Marie Morfaux.
Conjunto histórico
Ensemble historique / Conjunto histórico / Historic cluster
Conjunto de construções antigas que apresentam um interesse
arquitetônico histórico, que guardaram coerência
no contexto urbano ou rural. O conjunto histórico merece ser
protegido sem sofrer modificações que afetem sua identidade.
"Considera-se
' conjunto histórico ou tradicional' todo agrupamento de construções
e de espaços, inclusive os sítios arqueológicos
e paleontológicos, que constituam um assentamento humano, tanto
no meio urbano quanto no rural e cuja coesão e valor são
reconhecidos do ponto de vista arqueológico, arquitetônico,
pré-histórico, histórico, estético ou sociocultural.
Entre esses 'conjuntos', que são muito variados, podem-se distinguir
especialmente os sítios pré-históricos, as cidades
históricas, os bairros urbanos antigos, as aldeias e lugarejos,
assim como os conjuntos monumentais homogêneos, ficando entendido
que estes últimos deverão, em regra, ser conservados em
sua integridade."
Trecho da Recomendação relativa à
salvaguarda dos conjuntos históricos e sua função
na vida contemporânea, « Carta de Nairóbi »,
26 de novembro de 1976, Conferência Geral da Unesco - 19ª
sessão.
Conservação
Conservation / Conservación / Conservation
Conjunto de doutrinas, técnicas e meios materiais apropriados
para perpetuar a existência de monumentos, visando mantê-los
materialmente dentro das suas condições arquitetônicas
de uso, contando com uma avaliação adequada das modificações
realizadas ao longo do tempo.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Modificado por Gustavo Aller, arquiteto, Montevideo, Uruguay. Participou
do seminário Sirchal 3, Santiago-Valparaíso, maio 1999.
Conservação de um edifício
Conservation d’un bâtiment / Conservación de
un edificio / Conservation of a building
Conjunto de medidas destinadas a salvaguardar e prevenir a degradação
de um edifício, incluindo a execução de obras de
manutenção necessárias ao funcionamento correto
de todas as partes e elementos da construção.
« Carta de Lisboa », outubro 1995.
Conservação integrada
Conservation intégrée / Conservación integrada
/ Integrated conservation
Modo de conservação, restauração e reabilitação
de edifícios e sítios antigos visando readequá-los
para novas funções da vida moderna.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay (Sirchal 2, Quito, novembre 1998), Presses
Universitaires de France, 2ème édition, 1996. Françoise
Choay participou do seminário Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
A
noção de “ conservação integrada”
construída há vinte anos pelo Conselho da Europa e incluída
na convenção de Granada acentua bem a necessidade de integrar
o patrimônio antigo na vida, na planificação contemporânea.
Se os monumentos não podem ser colocados fora da vida e conservados
como elementos museográficos, isto será ainda mais válido
para os conjuntos, cidades e bairros históricos, cujas funções
evoluem, e cujo valor e significação se atêm muito
ao seu uso vivo, à presença de habitantes e atividades
econômicas. A conservação integrada é uma
dialética entre a vontade de proteção e as necessidades
de planejamento, lançando mão de meios jurídicos,
administrativos, financeiros e técnicos específicos para
responder à complexidade das questões colocadas.
« La protection des sites et monuments et
la mise en œuvre des ensembles urbains à conserver »,
contribution au rapport national Habitat II, Istanbul, 1997.
Consolidação
Consolidation / Consolidación / Consolidation
Obras feitas em um edifício para assegurar a sua duração
sem modificar seu aspecto.
Conurbação
Conurbation / Conurbano / Conurbation
Conjunto formado por uma cidade e suas periferias, ou por cidades reunidas,
que constituem uma seqüência, sem no entanto se confundir.
Aglomeração
constituída por unidades urbanas que se desenvolvem espontaneamente
em um setor geográfico determinado.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Conjunto
de aglomerações próximas umas das outras cujo crescimento
colocou-as em contato.
Enciclopedia Microsoft Encarta 1998
Convenção para a proteção do patrimônio
mundial, cultural et natural
Convention concernant la protection du patrimoine mondial, culturel
et naturel / La Convención para la protección del patrimonio
mundial, cultural y natural / Convention for the Protection of the World’s
cultural and natural heritage
Aprovada pela Conferência Geral das Nações Unidas
em 1972, a Convenção sobre a proteção do
Patrimônio Mundial, Cultural e Natural, tem por principal objetivo
a identificação e a proteção do patrimônio
cultural e natural de valor “ universal e excepcional ”.
Esta proteção vem a ser ainda uma responsabilidade coletiva
internacional.
Cada um dos Estados Signatários reconhece sua obrigação
de identificar, proteger, conservar, reabilitar e transmitir às
gerações futuras o patrimônio cultural e natural
existente em seu território. Junto à UNESCO é criada
uma Comissão intergovernamental de proteção do
patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional:
a Comissão do Patrimônio Mundial.
Essa Comissão estabelecerá, sob o título de “
Lista do Patrimônio Mundial ”, uma lista de bens desse patrimônio
considerado de valor universal excepcional. Ela estabelecerá
também uma “ Lista do Patrimônio Mundial em perigo
”, inscrevendo os bens do patrimônio mundial cuja proteção
exige obras de conservação importantes. Os Estados Signatários
dessa Convenção podem pedir uma assistência internacional
para a proteção de bens constantes desta lista situados
em seu território.
« Le Patrimoine Mondial », Documento
UNESCO, 1999.
D.

Demografia
Démographie / Demografía / Demography
Taxa de população humana em uma determinada região
ou país. Ciência que descreve e estuda os povos (natalidade,
mortalidade etc.), as populações (idade, profissão
etc.). Por metonímia, estado de uma população (sob
o aspecto quantitativo).
« Dictionnaire encyclopédique Hachette
», édition 1995.
Demolição
Démolition / Demolición / Demolition
Ação de demolir, ou seja, de romper a ligação
de um edifício ou de uma massa construída. A demolição
faz parte das práticas de todas as culturas e de todas as sociedades:
ela é a outra face indissociável da construção.
A invenção do monumento histórico vem frear esta
prática ancestral de demolição, particularmente
em nome de valores artísticos e históricos aos quais os
edifícios do passado dão suporte. Na França, a
permissão de demolir é regida pelo Código do urbanismo,
cujas disposições visam não só a proteção
do patrimônio histórico, mas também a prevenção
da urbanização selvagem e da especulação
imobiliária.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Descentralização administrativa
Décentralisation / Descentralización / Decentralization
Na Europa: França, Itália, Espanha, Alemanha, a descentralização
administrativa foi um modelo aplicado ao conjunto do território.
Na França, a reforma implementada pela lei de 1982 a 1984, com
a transformação de controles e da autoridade executiva,
a divisão de competências e a função pública
territorial, visa o desenvolvimento das responsabilidades da administração
pública e foi aplicada ao conjunto do seu território:
municípios, departamentos e regiões, incluindo as grandes
cidades.
Na América Latina a descentralização foi percebida
como um meio de reduzir o peso econômico e político das
cidades muito grandes, fortalecendo as cidades médias e, em menor
medida, os espaços locais (o município).
Nos anos 80, as grandes cidades da América Latina, capitais na
maioria dos países, eram os atores de fatos políticos
e de demandas sociais. A descentralização dos aparelhos
do governo federal e sua contrapartida, o fortalecimento dos governos
locais, a divisão de competências entre os diferentes níveis
de governo e o repasse de recursos às autoridades locais são
fórmulas adotadas por iniciativa dos governos centrais, que não
produziram mudanças perceptíveis. A reestruturação
econômica internacional dos anos 90 obrigou os países latino-americanos
a adotar medidas de ajuste resultantes do modelo neoliberal para permitir-lhes
sair da crise dos anos 80: lento crescimento econômico baseado
sobre processos de privatização e descentralização,
abertura comercial ao exterior, expansão da área de comunicação,
redução dos salários e o desenvolvimento do trabalho
informal. Essa reestruturação econômica exige uma
reestruturação territorial em nível nacional, regional
e local. Ela responde às expectativas, originadas pelo retorno
à democracia, referentes às desigualdades econômicas
e sociais existentes e à necessidade de consolidar e aprofundar
os processos de democratização, pressupondo a participação
dos cidadãos nos processos decisórios das políticas
urbanas.
« De la Reforma urbana a la democratización
de los gobiernos locales », Alicia Ziccardi, Institut des Recherches
Sociales de l’UNAM, Revue América Latina Hoy, N° 15,
avril 1997.
Na
França, o Estado cede competências (construção
e manutenção de escolas, gestão de bibliotecas,
apoio às empresas...) por confiá-las às administrações
públicas (municípios, departamentos, regiões).
As administrações adquirem assim a vantagem de autonomia
e podem adaptar a sua gestão às especificidades locais.
O Estado guarda contudo um direito de controle a posteriori para assegurar
a regularidade das operações financeiras e das decisões
dos governantes .
« Le glossaire de la réforme de l’Etat
», Journal Le Monde du vendredi 15 novembre 2002.
Desconcentração administrativa
Déconcentration (en France)/ Desconcentración / De-concentration
Na França, o Estado guarda suas competências embora confie
sua gestão, não às administrações
centrais, mas a seus representantes sobre o território (prefeitos,
superintendentes, diretores da ação sanitária e
social, da agricultura...). Estes ficam submetidos à autoridade
central.
« Le glossaire de la réforme de l’Etat
», Journal Le Monde du vendredi 15 novembre 2002.
Desenvolvimento sustentável
Développement durable / Desarrollo sostenible / Sustainable
development
Tradução francesa de “sustainable development”,
termo utilizado no relatório " Notre avenir à tous”
[o futuro de todos] (Our Common Future) da comissão da ONU, presidida
por madame Brundtland e publicado em 1987.
O desenvolvimento sustentável significa uma alternância
entre as gerações, não dissipar o patrimônio
atual em respeito às gerações futuras, assegurar
o desenvolvimento sem imediatismo, valorizar e cuidar dos recursos locais,
bem articular desenvolvimento econômico, o progresso social e
a atenção ao meio ambiente, cuidar tanto da continuidade
da gestão, quanto dos equipamentos a serem implantados com conhecimento
de causa, considerar sua dimensão de eco-cidadão no nível
local, nacional e planetário ao mesmo tempo.
« Cent mots pour comprendre l’environnement
», Josette Bernard, Entente nationale des élus de l’environnement,
Cahier pédagogique N° 9 en collaboration avec l’Adème
Ile de France et le Comité 21, 2ème édition, Paris,
1997.
Processo
de mudança pelo qual a exploração de recursos,
a orientação de investimentos, as transformações
técnicas e institucionais se encontrem em harmonia e fortaleçam
o potencial atual e futuro de satisfação das necessidades
humanas.
É "um desenvolvimento que responde às necessidades
do presente sem comprometer a capacidade das gerações
futuras de responderem às suas próprias".
« Commission mondiale sur l'environnement
», Nations Unies, Rapport Brundtland “Notre avenir à
tous”, 1987.
O
desenvolvimento sustentável pretende ser um processo que concilie
a ecologia, a economia e o social e estabeleça um círculo
virtuoso entre estes três pólos.
Desenvolvimento não significa crescimento. O crescimento é
um processo quantitativo por meio do qual é medido o incremento
da riqueza gerada pelas trocas comerciais. O desenvolvimento é
um processo qualitativo induzido pelo crescimento mas que faz referência
a uma transformação estrutural da sociedade capaz de melhorar
o bem-estar do homem.
Situar-se em uma perspectiva de desenvolvimento sustentável implica
em ampliar o nosso campo de visão, em colocar fim ao reducionismo
que governa a reflexão e a ação e em abrir o nosso
horizonte temporal sobre a durabilidade. Trata-se de elaborar uma estratégia
de longo prazo, antecipando, na medida do possível, as evoluções
às quais as políticas podem conduzir, e de garantir a
adequação entre essa estratégia e as ações
de curto prazo.
Tal abordagem integrada é sinônimo de iniciativa multilateral,
interdisciplinar, com a atuação das múltiplas competências
cabíveis. Seu sucesso está nas parcerias e na cooperação
entre os atores de diferentes disciplinas, de diferentes setores, de
diferentes meios ou na ação sobre diferentes esferas territoriais.
O desenvolvimento sustentável basea-se na mobilização
e na participação de todos os atores da sociedade civil
no processo decisório.
O desenvolvimento sustentável pede para ser "planejado"
pois as forças do mercado não podem assegurar, elas sozinhas,
a integração das dimensões econômicas, ecológicas,
sociais e culturais.
O desenvolvimento sustentável designa uma direção
a tomar. É uma dinâmica, um processo de evolução
muito mais que uma meta em si ou uma série de objetivos precisos
a alcançar.
Trecho do documento « Villes et développement
durable », realizado por Nathalie Holec (ACT Environnement), sob
a direção de Clémént Cohen (ACT Consultants)
com Geneviève Brunet-Jolivald (CDU) e Jean-Pierre Piechaud (CGPC),
à demanda do Conseil Général des ponts et chaussées
(CGPC) para o Centre de documentation de l’urbanisme (CDU), Paris,
1998.
Desenvolvimento urbano
Développement urbain / Desarrollo urbano / Urban development
Expansão progressiva da superfície das cidades e aglomerações
urbanas. Pode acontecer de acordo com um processo preconcebido que visa
dispor racionalmente os órgãos funcionais da cidade ao
longo do tempo. Podendo ocorrer também espontaneamente, sem ordenamento
preconcebido.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Na América Latina:
O fenômeno global de urbanização rápida,
estimulando um crescimento sem precedentes nas cidades dos países
em desenvolvimento, lança um desafio importante na América
Latina e no Caribe. O crescimento demográfico, a expansão
da atividade econômica e a mudança de modelos de consumo,
exercem diversas pressões sobre a estrutura de estabelecimentos
humanos já centenários da região.
Durante as três últimas décadas, o crescimento urbano
explosivo, até então contido na estrutura urbana existente,
gerou uma rápida expansão em direção à
periferia urbana. De um lado, o incremento das atividades comerciais
e de prestação de serviços, que não encontram
mais um espaço adaptado à sua própria expansão
na estrutura urbana existente, impulsionou o desenvolvimento de múltiplos
sub-centros periféricos, o que levou ao abandono e à degradação
zonas centrais tradicionais, de outro lado, a pobreza e a ausência
de mecanismos formais para dar acesso aos mais desfavorecidos a terrenos
ocupáveis, desenvolveu o aumento de ocupações informais
tanto na periferia quanto nas zonas centrais degradadas.
« Revitalisation urbaine, La ciudad en el
siglo XXI », Eduardo Rojas, BID, édité par Eduardo
Rojas e Robert Daughters. Eduardo Rojas participou dos seminário
Sirchal 1, Paris, maio 1998 ; Sirchal 2, Quito, novembro 1998 e Sirchal
3, Santiago-Valparaíso, maio 1999. Robert Daughters participou
do seminário Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Deslocamento de setor produtivo
Délocalisation (en France) / Deslocalización / Delocalization
O Estado desloca simplesmente uma atividade, até então
exercida em Paris, para a periferia ou províncias. Em 1991, principalmente,
o governo decidiu deslocar cerca de vinte organismos e órgãos
administrativos.
« Le glossaire de la réforme de l’Etat
», Journal Le Monde du vendredi 15 novembre 2002.
Conhecido
como o deslocamento dos setores produtivos de empresas para outras cidades,
e mesmo para outros países, em busca de benefícios tais
como impostos, mão de obra, mercado consumidor etc.. Na França,
emprega-se também esse termo para o deslocamento de organismos
e órgãos administrativos públicos, muitas vezes
respondendo a uma estratégia de "descentralização
administrativa".
"Diradamento", curetagem
Curetage / Curación / Expurgation
Em uma operação de reabilitação de um bairro,
refere-se à destruição de construções
parasitas estabelecidas nos espaços internos, pátios e
jardins antigos, que contribuem muito à degradação
do conjunto urbano e de suas condições de habitabilidade.
"Diradamento"
é um termo italiano que significa desbastamento, ou seja, ato
de remover o excesso; retirar o que não serve; aprimorar.
« Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa », Antônio Houaiss e Mauro de Salles Villar,
Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da
Língua Portuguesa S/C Ltda., Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Para
Giovannoni (1873-1943) a questão da conservação
das velhas cidades, ou conjuntos, "que mesmo não possuindo
particulares elementos artísticos, assumem, como solução
urbanística, valores históricos e artísticos"
deve ser tratada em sede de planejamento urbano, e não isoladamente,
por meio de intervenções de "diradamento": os
velhos conjuntos seriam revitalizados tecnologicamente e inseridos na
cidade moderna. Não por meio de um planejamento global, mas através
de projetos dedutivos, de dentro para fora, e na escala de cada quadra.
Nas intervenções não seriam permitidos acréscimo
de área, volume, tratamentos ou usos incompatíveis. Na
verdade, deveriam acontecer mais demolições do que acréscimos,
uma vez que as estruturas antigas possuíam uma lógica
construtiva e funcional que fora deturpada por intervenções
aleatórias. Para cada edifício deveriam ser adotados os
princípios da restauração arquitetônica estabelecidos
por Boito e detalhados por Giovannoni.
Texto de Rodrigo Meniconi, arquiteto, mestre e especialização
em Restauração pela Universidade de Roma, « A questão
do patrimônio: arquitetura, memória e gestão da
cidade » , publicado em Cadernos de Arquitetura e Urbanismo, v.6,
n.6, Belo Horizonte: PUC Minas, dezembro de 1998. p. 54.
Direito de preempção
Droit de préemption / Derecho de compra / Right of first
refusal
Na ocasião da venda de um terreno, o município tem o direito
de preempção, isso quer dizer que ele tem a preferência
na compra do imóvel, com fins de facilitar a gestão urbana.
Direito reconhecido em certos casos à administração
ou certos organismos de direito privado, cumprindo uma missão
de serviço público, de adquirir preferencialmente frente
a outros compradores a propriedade de um bem quando da sua alienação.
« Le lexique des termes juridiques par S.Guinchard
», 1995 & « Traité de Droit Administratif »
(Tome 2 : DA des biens) par Y.Gaudemet, 1997.
No
Brasil, o direito de preempção é conferido ao poder
público municipal sempre que necessitar de áreas para
: regularização e reserva fundiária, ordenamento
e direcionamento da expansão urbana; implantação
de equipamentos urbanos comunitários; criação de
espaços públicos de lazer e áreas verdes; criação
de unidades de conservação e proteção de
outras áreas de interesse ambiental, histórico, cultural
ou paisagístico;
« Estatuto da Cidade », art.25 e 26
da Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001 (Brasil).
Diretor de obra
Maître d’œuvre / Director de obra / Project manager
O diretor de obra é a pessoa física ou jurídica
a quem o empreendedor confia a responsabilidade de elaborar e acompanhar
a execução do empreendimento. É um profissional
da construção: arquiteto, engenheiro, escritório
de estudos, firma de engenharia. Ele é remunerado pelo executor
da obra em função da missão que lhe foi confiada.
Mais precisamente, seu papel consiste em garantir a viabilidade do programa
e sua realização tendo em vista o terreno e sua implantação;
conceber o projeto e elaborar os documentos escritos e desenhos respeitando
a legislação, as regras de arte, o programa e o custo
dos objetivos definidos pelo empreendedor; efetuar as demandas legais
(alvará de construção, por exemplo); preparar o
dossiê de empresas consultoras; participar da negociação
com as empresas e da definição dos contratos; assegurar-se
de que as obras são executadas conforme as cláusulas dos
contratos; liberar depósitos bancários às empresas;
assistir o empreendedor nas operações de recebimento de
obras.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay, Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Diretrizes de proteção do patrimônio
Régime patrimonial / Régimen patrimonial / Rules and
regulations governing heritage issues
Conjunto de disposições, decretos e regras que regulam
as intervenções arquitetônicas e urbanísticas
nas zonas de proteção patrimoniais. Nas diretrizes de
proteção pode-se incluir critérios que estabeleçam
estímulos e punições, visando proteger e revitalizar
um setor patrimonial.
Gustavo Aller, arquiteto, Montevideo, Uruguay participando
do seminário Sirchal 3, Santiago-Valparaíso, maio 1999).
No
Brasil, é um dos documentos que visam a regulamentação
para a proteção do patrimônio tombado, onde se incluem
a criação do Conselho de Patrimônio, a Lei de Proteção,
a elaboração do processo de tombamento, entre outros,
que define critérios e normas de intervenção, gerais
e específicos a cada bem tombado, tomados como referência
para a avaliação de projetos e obras de intervenção,
tais como graus de proteção de áreas protegidas,
emprego de materiais, parâmetros construtivos, referenciais paisagísticos
e físicos a serem preservados.
Domínio / Propriedade
Domaine / Dominio / Domain
É preciso distinguir o domínio público do privado.
O domínio público é inalienável e não
pode nem ser vendido nem tratado como domínio privado. Por exemplo,
na França, é necessário reverter a propriedade
de um terreno de domínio público em propriedade privada
para que se possa vendê-lo a uma Sociedade de Economia Mista.
E.

Empreendedor,
executor de obra
Maître d’ouvrage / Cliente, comitente / Principal
O empreendedor da operação de uma construção
é o cliente. É a pessoa física ou jurídica
que decide realizar a operação, define o programa, dispõe
do terreno, busca o financiamento e paga, define o calendário,
escolhe os profissionais encarregados da realização da
obra (o autor do projeto, empreiteiros, o assistente técnico
e muitas vezes os fornecedores), firma negócios e contratos de
estudo e execução de obras e administra os conflitos eventuais.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay, Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Encargos fiscais
Charges fiscales / Cargas impositivas / Fiscal burden
Conjunto de impostos e taxas incidentes sobre uma atividade ou imóvel.
Enquadramento sócio-ambiental
Cadre de vie / Entorno / Living environment
Realidade material e ambiental humana na qual evolui um indivíduo
ou uma sociedade.
« Vocabulaire International des termes d’Urbanisme
et d’Architecture », Jean-Henri Calsat et Jean Pierre Sydler,
Société de diffusion des techniques du bâtiment
et de travaux publics, 1ère édition, 1970.
Entorno
Abords / Inmediaciones, / Surroundings
Conjunto de lugares e imóveis que constituem os arredores paisagísticos
de um monumento histórico e necessita de uma regulamentação
que vise a sua proteção.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Definição modificada por Gustavo Aller, arquiteto, Montevideo,
Uruguai, participando do seminário Sirchal 3, Santiago –
Valparaíso, maio 1999.
Define-se
entorno como sendo a ambiência de bens tombados. Na Carta de Nairóbi,
"entende-se por 'ambiência' dos conjuntos históricos
ou tradicionais, o quadro natural ou construído que influi na
percepção estática ou dinâmica desses conjuntos,
ou a eles se vincula de maneira imediata no espaço, ou por laços
sociais, econômicos ou culturais."
Trecho da Recomendação relativa à
salvaguarda dos conjuntos históricos e sua função
na vida contemporânea, « Carta de Nairóbi »,
26 de novembro de 1976, Conferência Geral da Unesco - 19ª
sessão.
Equipamento coletivo
Equipement collectif / Equipamiento colectivo
Conjunto de redes, estruturas e edificações colocadas
à disposição da coletividade visando satisfazer
suas necessidades de toda ordem. Os equipamentos de infra-estrutura
compreendem: vias e estacionamentos, transportes e comunicações,
água e canalizações, energia. Os equipamentos estruturais
da cidade são os edifícios de uso coletivo: administrativos,
de educação, sanitários, comerciais, culturais,
esportivos, turísticos.
É
uma categoria de investimentos que colaboram no atendimento às
necessidades de ordem coletiva (estradas, hospitais, escolas) e cuja
realização necessita da intervenção e ajuda
financeira das administrações públicas. O desenvolvimento
do consumo e a melhoria do nível de vida só podem ser
obtidos através do uso crescente dos serviços coletivos
. Por exemplo, o uso do automóvel, nas melhores condições
possíveis, exige que os serviços públicos multipliquem
os equipamentos rodoviários. Neste caso, o equipamento urbano
deve ser visto como um investimento, criado ou consignado a uma instituição
coletiva, gerenciado direta ou indiretamente por ela e permite o consumo
de um serviço ao mesmo tempo e no mesmo lugar por vários
usuários. Por isso mesmo, a noção de equipamento
urbano se associa à de bem coletivo ou de bem público.
Entretanto, as práticas de produção de equipamentos
urbanos podem e devem ser orientadas, como no caso de investimentos
privados, por regras de cálculo econômico, a única
diferença é que se busca ter em conta os custos e benefícios
deste tipo de investimento para a coletividade: a construção
de um hospital, de uma universidade pressupõe talvez um cálculo
rigoroso, mas este deve levar em conta certos resultados próprios
aos equipamentos urbanos (melhoria da qualidade de vida).
« Grand dictionnaire encyclopédique
Larousse », édition 1983.
Escala
Echelle / Escala / Scale
Linha graduada, dividida em partes iguais, que indica a relação
entre as dimensões das distâncias marcadas sobre um plano
e as dimensões ou distâncias reais (escala gráfica).
Relação existente entre uma medida em uma representação
(carta, planta) e a medida real correspondente (escala numérica).
Escala de um mapa, de um levantamento topográfico, de uma planta
baixa, de uma representação aerofotogramétrica.
« Le Grand Robert de la Langue Française
», Paul Robert, 2ème édition, 1991.
Escavações arqueológicas
Fouilles archéologiques / Excavaciones arqueológicas
/ Arqueological digs
Corte sistemático e metódico em terreno para identificar
e analisar vestígios arqueológicos.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Espaço privado
Espace privé / Espacio privado / Private space
Espaço que não pertence ao domínio público
mas ao do indivíduo.
Gustavo Aller, arquiteto, Montevideo, Uruguay. Participou
do seminário Sirchal 3, Santiago-valparaïso, maio 1999.
Espaço
de acesso e uso restrito definido, de propriedade privada do solo e
da construção.
Professeur Silvio Mendez Zancheti, architecte, Recife,
Brésil. Participou do seminário Sirchal 2, Quito, novembro
1998 e Sirchal 3, Santiago-Valparaíso, maio 1999.
Espace public / Espacio público / Public space
Parte do domínio não construído, destinado ao uso
público, compreendendo espaços minerais e/ou espaços
verdes.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
A
diferenciação é um dos traços característicos
da cidade ocidental desde a Idade Média, através da constituição
de bairros e zonas diferenciadas, em geral, por grupos étnicos
ou religiosos, sendo o sentido de unidade dado, fundamentalmente, pelo
espaço público, enquanto lugar não apenas de troca
comercial, mas também de sociabilidade e prática política.
Em especial, aparecem os centros das cidades, locais de convergência
e reunião máximas, das trocas de todo tipo e sínteses
sociais e simbólicas das respectivas cidades. O sentido do espaço
público vem sendo modificado na cidade contemporânea por
diversos fatores. O próprio espaço público tende
a especializar-se e a perder o caráter de local fundamental da
vida social e do convívio entre os diferentes grupos da população.
O acesso à centralidade, ou seja, à convergência
das informações e criações, deixa de estar
vinculado a um lugar físico, o centro. As tendências atuais
de introversão dos espaços do habitar, do trabalho e do
consumo e de conformação das ruas como meros sistemas
de circulação entre pontos correspondem a esse novo padrão
espacial. Cada vez mais, a vida social tende a circunscrever-se a espaços
fechados ou delimitados, muitas vezes de acesso restrito.
AZEVEDO JR, Manoel Teixeira,arquiteto e urbanista
brasileiro. « A cidade contemporânea e seus desafios »,
in: Cadernos de Arquitetura e Urbanismo, v.5, n.5. Belo Horizonte: Pontifícia
Universidade Católica, dez. 1997. p.13 e 14.
O
espaço público se define como o conjunto de imóveis
públicos, assim como os elementos arquitetônicos e naturais
que os imóveis privados destinem pela sua natureza, uso ou atendimento
a satisfação das necessidades urbanas ou coletivas e que
transcendem, portanto, os limites dos interesses da propriedade privada
tendo em vista a sua disponibilidade para o desfrute coletivo.
Art.5 da Lei 9ª de 1989 e decreto de regulamentação
1504 de 4 de agosto de 1998 ela Lei 388 de 1997.
Em
concordância com o disposto no artigo 5 do decreto de regulamentação
1504 de 1998 sobre espaço público, determinam-se os seguintes
como seus elementos constitutivos e complementares:
1.
Elementos naturais:
a.- Áreas para a conservação e preservação
do sistema orográfico;
b.- Áreas para a conservação e preservação
do sistema hídrico;
c.- Áreas de especial interesse ambiental, científico
e paisagístico.
2. Elementos artificiais ou construídos nas áreas integrantes
dos sistemas de circulação de pedestres e veículos.
« Aspectos Legais do Espaço Público
em Barranquilla », diagnóstico para o V Seminário
Sirchal, realizado em Barranquilla, Colômbia, 28 de mayo al 2
de junio del 2001.
Estudo de impacto de vizinhança (EIV)
Étude d´impact de voisinage
Através de Lei municipal, define-se os empreendimentos e atividades
privados ou públicos em área urbana que dependem de elaboração
de estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV) para obter
licenças ou autorizações de construção,
ampliação ou funcionamento a cargo do Poder Público
municipal. Esses estudos devem contemplar os efeitos positivos e negativos
do empreendimento ou atividade quanto à qualidade de vida da
população residente na área e suas proximidades,
incluindo a análise de várias questões, tais como
adensamento populacional, geração de tráfego e
demanda por transporte público, ventilação e iluminação,
entre outras.
« Estatuto da Cidade », art.36, 37 e
38 da Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001 (Brasil).
F.

Favela
Bidonville / Villa miseria / Shantytown
Conjunto de residências precárias construídas com
materiais provisórios, em geral na periferia das cidades, sobre
terrenos desprovidos de condições de habitabilidade.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
No
Brasil, ocupam geralmente morros nas áreas centrais da zona urbana
e na periferia. Aglomeração urbana ocupada desordenadamente
em terrenos invadidos, geralmente sem regulação fundiária,
em condições precárias de segurança, conforto
ambiental, acessibilidade, saneamento e infra-estrutura básica.
Essas comunidades se estabelecem inicialmente à margem de serviços
públicos oferecidos aos bairros regulares. Também denominada
aglomerado urbano.
Bairro-da-lata
(Portugal); caniço (Moçambique); musseque (Angola).
« Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa », Antônio Houaiss e Mauro de Salles Villar,
Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da
Língua Portuguesa S/C Ltda., Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
G.
Gabarito
Gabarit / Gálibo / Building line regulations
Conjunto de regras de construção referentes às
dimensões autorizadas e as formas que os edifícios devem
respeitar em relação à via pública.
Gentrificação
Gentrification / Aburguesamiento / Gentrification
Neologismo anglófilo que significa uma evolução
de certas áreas de ocupação social.
Olivier Godet, architecte, ABF, MRAI, participou
do seminário Sirchal 3, Santiago-Valparaiso, maio 1999.
Forma
de apropriação das camadas afluentes e do capital privado
do espaço público, "requalificando" concertadamente
com outros atores, inclusive o poder público, e criando uma situação
de exclusão e especulação, convertendo espaços
privilegiados remanescentes degradados em espaços de consumo
de uma classe social ascendente.
... a gentrificação é uma resposta específica
da máquina urbana de crescimento a uma conjuntura histórica
marcada pela desindustrialização e conseqüente desinvestimento
de áreas urbanas significativas, a terceirização
crescente das cidades, a precarização da força
de trabalho remanescente e sobretudo a presença desestabilizadora
de uma 'underclass' fora do mercado.
ARANTES, Otília, urbanista brasileira. «
Uma estratégia fatal. A cultura nas novas gestões urbanas.
» In: A cidade do pensamento único: desmanchando consensos
/ Otília Arantes, Carlos Vainer, Ermínia Maricato. Petrópolis,
RJ:Vozes, 2000. p.31
Gestão urbana
Gestion urbaine / Gestión urbana / Urban management
A ação do urbanismo com seu tripé “ planificação-regulamentação-operação
” constitui uma fase necessária mas não suficiente
para assegurar a melhoria de existência dos indivíduos
a partir de uma certa concepção ideológica e política.
O novo espaço criado terá que se adaptar constantemente
às necessidades dos homens em perpétua evolução.
As regras institucionais serão necessárias para gerar
esse espaço, mas fórmulas serão buscadas para animá-lo
e dar-lhe vida.
« Comprendre l’urbanisme », Paul
Boury, Editions du Moniteur, 2ème édition, 1980.
Os
cinco fatores comuns às boas práticas de gestão
urbana são:
1- uma visão integral e a longo prazo, ponto de partida para
a definição de estratégias de ação;
2- um líder integrador;
3- a participação ativa de forças vivas da comunidade;
4- a inovação na solução dos problemas;
5- a incorporação do potencial da empresa privada na prestação
de serviços.
« Gestión municipal, La ciudad en el
siglo XXI », Roberto Samayoa, editado por Eduardo Rojas et Roberto
Daughters, BID, 1999.
Governabilidade
Gouvernance / Buen gobierno / Governance
A noção de governabilidade faz referência aos mecanismos
de negociação que as administrações públicas
locais devem colocar em prática entre os parceiros e o conjunto
de cidadãos, e às formas de participação
que elas devem criar.
A noção de governabilidade convida a definir uma nova
arte de governar, a encontrar uma nova maneira de funcionar em relação
com todos os atores da vida pública, a inventar novas parcerias,
o que deveria conduzir a mudanças organizacionais dentro das
administrações locais.
Trecho do documento « Villes et développement
durable », realisado por Nathalie Holec (ACT Environnement), sob
a direção de Clémént Cohen (ACT Consultants)
com Geneviève Brunet-Jolivald (CDU) e Jean-Pierre Piechaud (CGPC),
à demanda do Conseil Général des ponts et chaussées
(CGPC) para o Centre de documentation de l’urbanisme (CDU), Paris,
1998.
Algumas
definições amplamente aceitas:
-
A Organização das Nações Unidas
Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD):
" A governabilidade pode ser considerada como o exercício
dos poderes econômico, político e administrativo para gerenciar
os assuntos dos países em todos os níveis. Ela compreende
os mecanismos, procedimentos e instituições (...) A boa
governabilidade é(...) participativa, transparente e responsável.
Ela é também eficaz e eqüitativa. (...) A boa governabilidade
assegura que as prioridades políticas, sociais e econômicas
estejam fundadas sobre um amplo consenso social que as vozes dos mais
pobres e dos mais vulneráveis estejam no coração
do processo de decisão sobre a aplicação de recursos
para o desenvolvimento. "
-
A visão francesa:
"( …) A organização, dentro de uma preocupação
de simplificação e sobretudo de democratização
dos meios de tomada de decisão, de gestão e de controle.
Isso é o que se entende hoje, sobre o termo de governabilidade."
(Dominique Voynet, Ministro de Planejamento do Território
e do Meio Ambiente).
-
A visão da Rede de Agências Regionais para o Meio Ambiente
(Réseau des Agences régionales pour l'Environnement -
RARE):
- " Por governabilidade, entendemos a organização
de um novo modo de concertação entre a administração
pública (eleitos e serviços) e seus membros (cidadãos,
associações, grupos diversos ...). A governabilidade visa
responder às exigências de transparência, de democracia
e de participação no desenvolvimento sustentável.
Trata-se de fato em associar a população de maneira mais
intensa, mais viva e, sobretudo, mais reativa, ao processo de tomada
de decisão (sem que de modo algum coloque em questão o
papel fundamental dos representantes eleitos)."
Informação
e governabilidade
Combinação de democracia elegível, de participação
dos cidadãos e abordagens racionais da decisão baseada
em indicadores e avaliações. O desenvolvimento sustentável
faz referência aos métodos que permitem abranger o conjunto
das partes envolvidas. Essas instituições combinam democracia
participativa e elegível, assim como os instrumentos de avaliação
de políticas e a transparência do processo de decisão
emergem de um contexto geral qualificado de boa governabilidade. A informação
e acesso do público à informação é
portanto um componente importante que permite colocar em prática
a governabilidade.
« Assises nationales du développement
durable », Agenda 21, Toulouse, 2002.
Gueto
Ghetto / Gueto / Ghetto
Gueto: do hebraico ghet, separação, divórcio.
1. História: Bairro reservado das cidades medievais (a partir
do século XIII) onde os judeus levavam uma vida separada do resto
da população, freqüentemente com obrigação
de residência e bloqueio do bairro, de onde se formam modelos
distintos de civilização e tipos locais.
2. Sociologia: Por extensão, todo grupo social, geralmente uma
minoria étnica, que se isola ou que é isolada da sociedade
global em um determinado bairro (segregação étnica
ou social, tendo um suporte territorial)
« Vocabulaire de la philosophie et des sciences
humaines », Louis-Marie Morfaux.
A
marginalização da cidade latino-americana é chamada
“ exclusão " na Europa e “ gueto ” na
América do Norte. Nossas cidades vivem um duplo processo de integração
e de exclusão. De um lado, espaços públicos são
criados para a socialização da vida urbana e, de outro
lado, vemos desenvolver zonas privatizadas (zonas comerciais, conjuntos
residenciais).
« Pluralisme social », Revue Eure (volume
XX N° 59), Jordi Borja, Délégué à la
Coopération International à la Mairie de Barcelone, Santiago
de Chili, mars 94.
I.
Imóveis
comerciais desocupados
Friches commerciales / Espacios commerciales / Comercial rustbowls
"Friches" (na França) ou imóveis desocupados
comerciais são edifícios, locais ou escritórios
situados no meio urbano, em um município de mais de 5000 habitantes,
apresentando área mínima utilisável de 300 metros
quadrados, vagos há pelo menos dois anos, não importando
o seu estado físico.
« Lexique de l’Agence de développement
et urbanisme de l’agglomération strasbourgeoise »,
2002.
Imóveis industriais desocupados
Friches industrielles / Baldíos industriales (terrenos o
solares baldíos) / Rust belts
Conjunto de terrenos industriais abandonados por causa do desaparecimento
das empresas que o ocupavam.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil international
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Os
terrenos industriais baldios são terrenos construídos
ou não, sem reabilitação ou não reutilizados,
inteiramente abandonados há pelo menos dois anos e que , tendo
abrigado uma atividade industrial ou artesanal, estão degradados
de tal maneira que qualquer novo uso só é possível
mediante uma reabilitação física.
« Lexique de l’Agence de développement
et urbanisme de l’agglomération strasbourgeoise »,
2002.
Imóveis urbanos desocupados
Friches urbaines / Baldíos urbanos (terrenos o solares baldíos)
/ Vacant Land
Terrenos deixados ao abandono em meio urbano provenientes de edificações
demolidas, de áreas não construídas e/ou não
utilizadas para o cultivo.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Os
diversos terrenos baldios urbanos são principalmente as antigas
ocupações militares, as antigas estações
ferroviárias, postos de combustível, as cidades operárias
abandonadas em situação de aglomeração.
« Lexique de l’Agence de développement
et urbanisme de l’agglomération strasbourgeoise »,
2002.
Imposto fundiário
Charge foncière / Impuesto predial / Property tax
Imposto
fundiário e preço do terreno.
Dentro do custo total do metro quadrado construído, o imposto
fundiário representa a localização do imóvel.
Dois imóveis idênticos, tendo o mesmo custo de construção
terão seu preço diferenciado essencialmente pelo Imposto
fundiário.
O conceito de imposto fundiário é manipulado por dois
tipos de profissionais : os planejadores do território e os promotores.
O planejador « fabrica e vende » ao promotor o imposto fundiário
que é o direito de construir uma superfície de certa quantidade
de metros quadrados. Esse imposto fundiário « planificador
» é expresso em relação à superfície
aproveitável do terreno (SHON), definida pela legislação
em vigor. Por outro lado, para o promotor, o imposto fundiário
que ele « compra » não passa de um bem intermediário
a mesmo título que os materiais de construção.
Como parte integrante de seu custo de revenda, ele será calculado
tendo como referência a superfície habitável ou
útil (em outras palavras, a superfície aproveitável
do terreno-SHON, menos os muros e a superfície das áreas
comuns).
O preço do solo é calculado em relação a
uma superfície de terreno. Essa é uma noção
de fácil compreensão para as pessoas comuns, e principalmente
para os proprietários imobiliários. Ela é mais
concreta que o Imposto Fundiário pois um terreno pode ser visto
e medido e podemos caminhar sobre ele. Por outro lado, o direito de
construir é abstrato e uma superfície habitável
não é vista do exterior do imóvel. Quando falamos
de Imposto Fundiário, o suporte físico, ou seja o terreno,
é esquecido. Pouco importa sua superfície real. O que
conta é a superfície construída que ele pode gerar.
A relação entre superfície construível e
superfície do terreno é dada pela densidade da construção.
Desde que essa densidade figure nos documentos de urbanismo sob a forma
de um coeficiente de ocupação do solo (COS), é
relativamente fácil representar essa relação. Um
simples cálculo elementar, não mais difícil do
que os cálculos feitos pelas crianças da escola primaria,
permite passar da superfície do tereno à superfície
construível. Mas é cada vez mais comum que o COS não
conste dos documentos de urbanismo. É necessário, então,
recorrer a um profissional para que este avalie a capacidade construível
do terreno.
De maneira geral, o jargão imobiliário, utilisando os
metros quadrados construíveis, é normalmente reservado
aos profissionais. Ao contrário, o jargão fundiário,
usando metros quadrados de terreno, é mais adaptado às
relações entre proprietários imobiliários
e não profissionais.
Etude de Thierry Vilmin, Directeur de Logiville
(bureau d’études), « Nouvelle base d’information
sur les charges foncières », Association des Etudes Foncières
(ADEF) http://www.foncier.org, septembre 1998.
Incentivos e benefícios fiscais e financeiros
Dégrèvement / Desgravación fiscal / Tax relief
Redução do montante de uma imposição ou
exoneração de encargos fiscais levando em conta a situação
pessoal do contribuinte.
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
Indice de Développement Humain / Indice de Desarollo Humano
O IDH foi criado originalmente pela Organização das Nações
Unidas para medir o nível de desenvolvimento humano dos países
a partir de indicadores de educação (alfabetização
e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao
nascer) e renda (Produto Interno Bruto per capita). O índice
varia de zero (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento humano
total). Países com IDH até 0,499 têm desenvolvimento
humano considerado baixo; os países com índices entre
0,500 e 0,799 são considerados de médio desenvolvimento
humano; países com IDH maior que 0,800 têm desenvolvimento
humano considerado alto.
O Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal é um projeto pioneiro
no mundo. O primeiro Atlas brasileiro foi lançado em 1998, informando
o índice de desenvolvimento humano de todos os municípios
brasileiros com os dados do censo de 1991. Até então,
os índices calculados pelas Nações Unidas eram
feitos para países ou, no máximo, para Estados.
Fonte: Agência Folha/Agência Globo.
Em Jornal O Tempo, Belo Horizonte, 28/12/2002, P. 6.
Integração social
Mixité sociale / Integración social / Social integration
Na América Latina, a reativação econômica
conduz a um forte investimento privado na construção e
nos assuntos urbanos e, mais timidamente, um investimento público
que recupera os grandes projetos de infra-estrutura. Essas dinâmicas
podem revelar-se fonte de marginalização para os setores
populares excluídos pelo processo socio-econômico transformador
dos centros históricos. A renovação e a revitalização
de antigas centralidades é de vital importância permitindo
a promoção do papel atrativo da cidade e dinamizar sua
economia, sendo também essencial para a integração
urbana dos setores populares enquanto lugar de residência, lugar
onde é possível sobreviver com atividades econômicas
informais, lugar de consumo coletivo.
« Pluralisme social », Revue Eure (volume
XX N° 59), Jordi Borja, Délégué à la
Coopération Internationale à la Mairie de Barcelone, Santiago
de Chili, mars 1994.
A
cidade sempre constituiu a modalidade de expressão mais completa
e mais fiel da comunidade. Nela, se constroem e se observam as relações
mais claras do tecido social. Cidade construída e comunidade,
morfologia urbana e movimentos sociais não devem estar separados.
« Planes Especiales, Catalogación de
Bienes culturales y ciudad histórica », Cesare Macchi Cassia,
Journées sur la planification dans les centres historiques, Mairie
de Ségovie, Institut d’Urbanisme de l’Université
de Valladolid, Espagne, 1991.
Integração urbana
Inventário
Inventaire / Inventario / Inventory
Este termo designa os repertórios de monumentos históricos
ou de bens patrimoniais. O inventário supõe a determinação
de um conteúdo (categoria de objetos) e métodos de descrição.
Ele atende a duas finalidades complementares de informação
e classificação.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay , Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
L.
Lei
das Índias
Loi d’Indes / Ley de Indias / Law of the Indies
Leis de urbanismo (decretos, alvarás e medidas reais) ditadas
pelas províncias hispano-americanas (compiladas como “
Legislação das Índias ”). Criadas para determinar
o traçado das cidades fundadas pelos espanhóis na ocasião
da conquista das Américas, elas não se limitam à
concepção formal, mas também a elaborar o zoneamento
e uso do solo visando equilibrar a relação campo-cidade.
A cidade assume o papel de “ centro ” funcional e operacional.
As Leis das Índias davam indicações precisas sobre
a localização das cidades a serem fundadas e sobre as
distâncias mínimas a respeitar entre elas e com aquelas
já existentes. Assim, diferenciava-se os usos das terras por
ejido (área de expansão da cidade), dehesas (área
de pastagem de propriedade coletiva), chacras (para hortas granjas,
fazendas, terras de cultura e pequenas criações) et estancias
(para as criações maiores). No que concerne as regras
do desenho, a lei estabelecia: (…) « quando fizerem o plano
do lugar, distribuam em praças, ruas e parcelas, com cordão
e régua, a partir da praça principal em direção
às entradas e caminhos principais, deixando território
suficiente para o crescimento da cidade. Esta sempre deverá poder
seguir o seu crescimento de acordo com o mesmo modelo, se dilatar, apesar
do grande aumento da população(...) » A configuração
da trama das ruas determinava, indefectivelmente, um traçado
em forma de xadrez, em que os quadros eram as quadras ou quarteirões
quadrados. A propriedade urbana na Hispano-américa tinha como
base os solares que em certos casos, como em Buenos Aires, media 70
varas de lado (60,66 metros) e representavam um quarto de uma manzana
(quarteirão) de 140 varas (121,33 x 121,33 metros). Os edifícios
públicos : Casas Reales, Cabildo, Aduana e Iglesia Mayor deviam
ser construídos ao redor da Plaza Mayor (praça principal).
« Revista Nuestra arquitectura », Buenos
Aires, n° 511, 1970.
Lei de uso e ocupação do solo (LUOS), Plano de
ocupação do solo (França)
Plan d’occupation des sols (POS) (França) / Plano de
ocupación del suelo / Land Use Map
Documento urbanístico, geralmente em escala municipal, que define
as regras gerais de uso do solo aplicadas a todos. O objetivo primeiro
do POS é estabelecer de maneira precisa os direitos concernentes
a cada parcela, bem como organizar o tecido urbano com a definição
dos usos das construções, densidade, localização
de reservas para a implantação de equipamentos e a proteção
dos espaços naturais e agrícolas. O POS deve ser compatível
com os planos diretores, quando existentes, com as prescrições
do planejamento urbanístico, deve respeitar as servidões
de utilidade pública e os projetos de interesse geral. Localmente
pode ser substituído por um plano de zoneamento ou por um plano
de salvaguarda e valorização de um setor protegido. O
principal aspecto do plano de ocupação do solo é
o zoneamento definido pela regulamentação das regras e
sua identificação precisa nos documentos cartográficos.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay , Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Lei Malraux (França)
Loi Malraux / Ley Malraux (Francia) / Malraux Law
Lei de 4 de agosto de 1962, votada por iniciativa de André Malraux,
então ministro da cultura, dando ao Estado a possibilidade de
criar e delimitar “ setores protegidos ” nas cidades ou
bairros, quando apresentarem “ um caráter histórico,
estético ou natural que justifique a conservação,
a restauração e a valorização do todo ou
de uma parte do conjunto de imóveis ”.
Esta lei permite delimitar perímetros urbanos dentro dos quais
as edificações são restauradas e não destruídas.
M.

Malha viária
Voirie / Vía pública, red de comunicaciones viales
/ Roads
Conjunto de espaços reservados e equipados de modo a permitir
a circulação de pessoas e veículos ou qualquer
outro meio de transporte terrestre, assim como seu estacionamento.
Manutenção de um edifício
Entretien d’un bâtiment / Mantenimiento de un edificio
/ Building maintenance
Série de operações que visam minimizar o ritmo
de degradação na vida de um edifício, executadas
sobre as diversas partes e elementos de sua construção,
assim como em suas instalações e equipamentos. Em geral,
trata-se de operações programadas e efetuadas em ciclos
regulares.
« Charte de Lisbonne », octobre 1995.
Mapa de evolução urbana
Melhoramento do habitat antigo
Amélioration de l´habitat ancien / Mejoramiento del
hábitat antiguo / Improvement of old housing
Conjunto de medidas, subsídios e obras, que visam melhorar as
condições de higiene e de conforto dentro de residências
antigas e responder às demandas contemporâneas.
Monumento
Monument / Monumento / Monument
Toda realização particularmente notável em função
de seu interesse histórico, arqueológico, artístico,
científico, social ou técnico, incluídas as instalações
ou os elementos decorativos que fazem parte integrante desta realização.
« Conventions de Grenade » (1987) et
de Malte (1996).
Monumento histórico
Monument historique / Monumento histórico / Historic monument
Monumento protegido ou tombado por suas características de natureza
arquitetônica, urbana, simbólica, histórica, cultural,
ou em razão de fatos históricos em que se produziram.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Designa
toda construção, obra de arte, equipamento ou instalação
que deseja-se conservar ou proteger em função de seu valor
histórico ou estético e que se encontra regido por uma
legislação particular.
Urbanet (réseaux d’information sur
l’Urbanisme, l’Aménagement, les Equipements et les
Transports), Thesaurus Matière, Vocabulaire Documentaire, Ministère
de l’Equipement et Conseil Régional de l’Ile de France,
2ème édition, 1991.
Considerando
que os produtores das obras que hoje designamos monumentos históricos
buscavam essencialmente satisfazer às suas próprias necessidades
práticas ou às suas exigências de ideal contemporâneas
a eles, a denominação de “ monumento " não
pode ser compreendida em um sentido objetivo, mas unicamente subjetivo.
Não é a destinação original que confere
a essas obras a significação de monumentos, somos nós,
sujeitos modernos, que a atribuímos.
« Le culte moderne des monuments » (
Der moderne Denkmalkultus), Aloïs Riegl, Editions du Seuil, Paris,
mai 1984.
Morfologia
Morphologie / Morfología / Morphology
Na maioria dos casos, a forma da cidade não é o resultado
de um único projeto, mas ela é, ao contrário, o
resultado de uma reconstrução permanente da cidade sobre
ela mesma ao longo da sua história, por superposição,
acumulação, desaparecimento e substituição.
Desde então, a abordagem histórica e arqueológica
é uma etapa preliminar necessária.
« Les secteurs sauvegardés »,
DA/MCC, 1998.
Museificação
Muséification / Museificación / Museification
No centro da problemática da revitalização de centros
históricos, o conceito de museificação se opõe
ao desenvolvimento sustentável e a boa governabilidade. A museificação
é resultante do desenvolvimento em excesso do turismo provedor
de riqueza, que fabrica centros históricos onde cada monumento
se transforma em museu ou centro cultural, cada casa antiga uma loja
de souvenirs com andares vazios ou transformados em depósito.
Como conseqüência primeira desse modelo de preservação
do patrimônio, o espaço urbano é abandonado pela
população existente, transformando-se no máximo
em espaço de marginalização. Impor dinâmicas
sustentáveis, onde os interesses culturais, históricos,
econômicos e sociais convergem, é o desafio atual dos programas
de revitalização.
O.

Obra-prima
Chef d´œuvre / Obra maestra / Master piece
Termo que encontra a sua origem no sistema das corporações
(Idade Média), designando a obra a ser realizada por um componente
para testemunhar a conclusão de sua formação e
chegar à "maestria", e que qualifica hoje a obra de
arte particularmente bem acabada.
« Le Petit Larousse illustré »,
édition 1998.
Operação urbana consorciada
Operation d'aménagement urbain /
Conjunto de intervenções e medidas coordenadas pelo Poder
Público municipal, com a participação dos proprietários,
moradores, usuários permanentes e investidores privados, com
o objetivo de alcançar em uma área transformações
urbanísticas estruturais, melhorias sociais e a valorização
ambiental.
Podem ser previstas entre outras medidas: a modificação
de índices e características de parcelamento, uso e ocupação
do solo e subsolo, bem como alterações das normas edilícias,
considerado o impacto ambiental delas decorrente; a regularização
de construções, reformas ou ampliações executadas
em desacordo com a legislação vigente.
« Estatuto da Cidade », art.32 da Lei
nº 10.257, de 10 de julho de 2001 (Brasil).
P.
Parcelamento
Parcellaire / Parcelamiento / Parcelling
Conjunto da divisão do solo em parcelas e sua representação
cartográfica. A parcela, porção do espaço,
é também uma unidade de propriedade: o parcelamento representa
o conjunto do sistema de apropriação fundiária
de um espaço. Sob esse aspecto, a parcela está ligada
à noção de cadastro: ela é uma unidade cadastral
de caráter fiscal.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay , Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Pardieiro
Taudis / Tugurio / Slum
Residência imprópria à habitação,
seja porque é miserável e insalubre, seja por estar excessivamente
degradada.
Pasticho
Pastiche / Imitación / Folly
Cópia, imitação, paródia. Trabalho de imitação
do estilo de uma época ou de um gênero.
« Dictionnaire de la langue française
du 19ème et du 20ème siècle », CNRS, Gallimard.
Patrimônio
Patrimoine / Patrimonio / Heritage
Conjunto de bens herdados do passado.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Patrimônio arqueológico
Patrimoine archéologique / Patrimonio arqueológico
/ Arqueological Heritage
A lei francesa regulamenta o controle, a proteção provisória
e a definitiva de vestígios materiais de antigas civilizações
(construções, objetos de arte, objetos da vida cotidiana,
instrumentos, refugos, grãos, pólens...). A proteção
do patrimônio arqueológico apresenta problemas específicos
em razão da sua natureza. É necessário preservar
sítios arqueológicos ainda desconhecidos ou em vias de
exploração , controlar o resgate dos vestígios
encontrados e proteger os sítios e os vestígios arqueológicos
mais significativos.
« Guide de la protection des espaces naturels
et urbains », MCC, MELTM, MEPRTNM, La Documentation Française,
1991.
Patrimônio cultural
Patrimoine culturel / Patrimonio cultural / Cultural Heritage
A Conferência Geral da Organização das Nações
Unidas para a educação, a ciência e a cultura, reunida
em Paris no período de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972,
em sua 17ª sessão, estabeleceu:
Art. 1º Para os fins da presente convenção serão
considerados como "patrimônio cultural":
- Os monumentos: obras arquitetônicas, de esculturas ou de pinturas
monumentais, elementos ou estruturas de natureza arqueológica,
inscrições, cavernas e grupos de elementos que tenham
um valor universal excepcional do ponto de vista da história,
da arte ou da ciência;
- os conjuntos: grupos de construções isoladas ou reunidas
que, em virtude de sua arquitetura, unidade ou integração
na paisagem, tenham um valor universal excepcional do ponto de vista
da história, da arte ou da ciência;
- os sítios: obras do homem ou obras conjugadas do homem e da
natureza, bem como as áreas que incluam sítios arqueológicos,
de valor universal excepcional do ponto de vista histórico, estético,
etnológico ou antropológico.
Patrimônio etnológico
Patrimoine ethnologique / Patrimonio etnológico / Ethnological
Heritage
A abordagem ou a representação etnológica é
delicada na medida em que ela se refere a práticas econômicas,
sociais e religiosas. Ele é testemunha de identidades culturais:
costumes, festas, modos de fazer artesanais, práticas culinárias,
receitas, produtos da terra.
« Tourisme et patrimoine en France et en Europe
», Valéry Patin, les Etudes de la Documentation Française,
1997.
Patrimônio histórico
Patrimoine historique / Patrimonio histórico / Historic Heritage
Conceito cuja noção e práticas evoluem continuamente,
passando do simples valor de antigüidade a um valor simbólico
para a sociedade atual. Ele evolui do estatuto de objeto isolado: o
monumento, ao estatuto de objeto constitutivo de um conjunto territorial
complexo: a cidade, a paisagem.
A
sociedade deve esperar fazer de sua população, não
espectadores, mas habitantes do patrimônio.
« Pour une conscience plus humaine du patrimoine
urbain », Yves Robert.
O
espaço protegido enquanto patrimônio não é
nunca simplesmente histórico, ele é ao mesmo tempo identitário,
relacional e histórico.
M. Augé.
Se
na Europa “ (…)a definição do termo patrimônio
passou nos anos 60 da noção de 'bem cultural' e sucessivamente
nos anos 70 à noção de 'bem econômico', para
encontrar nos nosso dias o sentido de 'bem produtivo' (...)” devemos
então promover, tanto na Europa quanto na América Latina,
“ um uso responsável, racional e, logo, generalizado, dos
valores históricos nas operações de concepção
urbana em todos os níveis de intervenção ”,
considerando de hoje em diante como um instrumento de investimento ou,
para retomar um termo inglês, um “ business plan ”
: um instrumento de desenvolvimento e de produtividade, como uma oportunidade
de consenso, dentro de um contexto de interesses múltiplos, e
isto sem uma visão única e fechada da cidade.
« Contextes historiques : problèmes
et alternatives », Alfonso Govela, architecte italien, intervention
dans le cadre du séminaire « Conservation des contextes
historiques urbains », URBAL, réseau 2, Europe-Amérique
Latine, Vicenza, mai 1998.
Entre guillemets extrait du texte de Cesare Macchi Cassia, Planes Especiales,
catalogación de bienes culturales y ciudad histórica,
Journées sur la planification dans les centres historiques, Mairie
de Ségovie, Institut d’Urbanisme de l’Université
de Valladolid, Espagne, 1991.
Patrimônio industrial
Patrimoine industriel / Patrimonio industrial / Industrial Heritage
As mudanças econômicas levaram a mudar o destino ou a transferir
setores inteiros da indústria. Os baldios sucederam as usinas.
Os prédios, alguns deles de grande qualidade arquitetônica,
foram abandonados, setores mineiros ou têxteis largados. A sua
valorização responderia desde então a um duplo
imperativo: salvaguardar o patrimônio e criar novas atividades
suscetíveis de substituir, pelo menos parcialmente, aquelas que
desapareceram. Em certos casos, a indústria substituiu a indústria,
entre outras a do turismo.
« Tourisme et patrimoine en France et en Europe
», Valéry Patin, les Etudes de la Documentation Française,
1997.
Patrimônio intangível
Patrimoine intangible / patrimonio intangible
O conjunto de criações que emanam de uma comunidade cultural
fundadas na tradição, expressas por um grupo ou por indivíduos
e que, reconhecidamente, respondem às expectativas da comunidade
enquanto expressão de sua identidade cultural e social; as normas
e os valores se transmitem oralmente, por imitação ou
de outras maneiras. Suas formas compreendem, entre outras, a língua,
a literatura, a música, a dança, os jogos, a mitologia,
os ritos, os costumes, o artesanato, a arquitetura e outras artes.
Definição de patrimônio intangível
na Recomendación sobre salvaguardia de la cultura tradicional
y popular. 25ª Conferencia General de la Organización, 1989,
UNESCO.
Patrimônio monumental
Patrimoine monumental / Patrimonio monumental / Buildings as Heritage
A noção de patrimônio monumental, por muito tempo
reservado ao patrimônio histórico tradicional (castelos,
catedrais, palácios, abadias), foi progressivamente estendido
a edifícios de todas as categorias e épocas cuja conservação
se mostrou indispensável frente às mutações
aceleradas da nossa sociedade. Participam reconhecidamente desse patrimônio,
edifícios diversos tais como construções industriais,
ferroviárias, cinemas, hotéis, cavernas pré-históricas
ornamentadas, vestígios arqueológicos.
« Guide de la protection des espaces naturels
et urbains », MCC, MELTM, MEPRTNM, La Documentation Française,
1991.
Patrimônio natural
Patrimoine naturel / Patrimonio natural / Natural Heritage
A Conferência Geral da Organização das Nações
Unidas para a educação, a ciência e a cultura, reunida
em Paris no período de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972,
em sua 17ª sessão, estabeleceu:
Art. 2º Para os fins da presente convenção serão
considerados como "patrimônio natural":
- os monumentos naturais constituídos por formações
físicas e biológicas ou por grupos de tais formações,
que tenham valor universal excepcional do ponto de vista estético
ou científico;
- as formações geológicas e fisiográficas
e as zonas nitidamente delimitadas que constituam o habitat de espécies
animais e vegetais ameaçadas e que tenham valor universal excepcional
do ponto de vista da ciência ou da conservação;
-os sítio geológicos naturais ou as zonas naturais estritamente
delimitadas, que tenham valor universal excepcional do ponto de vista
da ciência, da conservação ou da beleza natural.
Patrimônio vernacular
Patrimoine vernaculaire / Patrimonio vernáculo / Vernacular
Heritage
Patrimônio pertencente a uma comunidade, testemunho da sua vida
econômica e social e das suas tradições.
Planejamento territorial
Aménagement du territoire / ordenamiento territorial / Land
survey planning
O planejamento territorial é a ação e a prática
de ordenar, através do espaço de um país e dentro
de uma visão prospectiva, os homens e suas atividades, assim
como os equipamentos e os meios de comunicação que possam
utilizar, levando em conta os condicionantes naturais, humanos e econômicos,
e mesmo estratégicos.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay), Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
O
planejamento territorial tem por objeto a conservação
e valorização do patrimônio nacional, o desenvolvimento
da infra-estrutura e a criação de equipamentos destinados
a favorecer o desenvolvimento econômico do país, considerando
as necessidades socioeconômicas da nação. Há
que se criar metrópoles de equilíbrio, destinadas a oferecer
aos habitantes de grandes aglomerações um nível
de serviços suficiente, e cidades novas, destinadas a desacelerar
o desenvolvimento das grandes cidades, reanimar as cidades de médio
porte e renovar o espaço rural. O planejamento territorial visa
melhorar a infra-estrutura rodoviária e de auto-estrada, as vias
navegáveis, o transporte aéreo e as telecomunicações.
Uma grande importância é dada à proteção
do meio ambiente contra a poluição e impactos, e à
salvaguarda da flora e fauna.
« Dictionnaire de langue française
», Hachette. Edition 1989.
Planejamento urbano
Aménagement urbain / Ordenamiento urbano, ordenación
/ City development
Conjunto de planos estabelecidos e obras executadas para prover de infra-estrutura
e equipamentos uma aglomeração urbana, permitindo assegurar
as funções que lhe são atribuídas.
Elaboração
e aplicação de um programa de realizações
priorizadas, resultante da conjunção de vários
fenômenos: expansão demográfica, progresso técnico,
movimentos migratórios, aumento do custo de vida e necessidades
da população, desenvolvimento de redes, aumento da motorização.
Planificação dos transportes
Planification des transports / Planificación del transporte
/ Transportation planning
Estabelecimento de programas espaciais e econômicos, que determinam
demandas previsíveis na perspectiva temporal estudada dos investimentos
a realizar para atender às priorizações e suas
conseqüências previsíveis, em particular sobre o desenvolvimento
urbano e a localização de atividades e equipamentos.
Um plano de circulação refere-se unicamente à malha
viária. Trata-se com freqüência de planos a médio
prazo com previsão de ordenamentos simples (cruzamentos, mão
única, semáforos tricolores etc.), que permitem aumentar
a eficiência das vias existentes. Comporta ainda propostas concernentes
aos pedestres (passeios), ciclovias (pistas circuláveis), estacionamentos
(regulamentação, tarifas), transportes públicos
rodoviários (pistas reservadas, restruturação de
redes etc.).
Uma política de transportes é o conjunto de orientações
definidas pelo poder público segundo estudos de planificação
e consulta de usuários. Ela deve ser estreitamente integrada
à política de urbanismo (escala urbana) ou à política
de planejamento territorial (escala regional ou nacional).
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay, Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Planificação urbana
Planification urbaine / Planeamiento urbano / Urban planning
A
planificação urbana é o método de previsão
e organização que permite às autoridades públicas
orientar e administrar o desenvolvimento urbano por meio da elaboração
e execução de documentos urbanísticos. Ela se manifesta
essencialmente por dois documentos: os planos diretores e os planos
de ocupação do solo. Esses documentos definem as orientações
fundamentais da organização dos territórios em
questão, considerando ao mesmo tempo as necessidades de expansão
urbana, o exercício de atividades agrícolas e a preservação
de sítios e paisagens.
« Encyclopédie multimédia Universalis
», 1999.
Plano de deslocamentos urbanos
Plan de déplacements urbains / Plano de desplazamientos urbanos
/ Urban Transport Plan
Elaborado para a área do território incluída no
perímetro dos transportes urbanos, ele define os princípios
gerais de organização de obras, da circulação
ou do estacionamento.
Tem como objetivo uma utilização mais racional do automóvel
e garante a boa inserção dos pedestres, veículos
de duas rodas e transportes públicos.
« Droit de l'Urbain » , Michel Huet.
Plano de proteção e valorização
Plan de sauvegarde et de mise en valeur (PSMV) / Plano de protección
y valorización (Francia) / Preservation and rehabilitation area
map
Na França, é um documento urbanístico que garante
a coerência e a qualidade das ações operacionais
trazidas para dentro do seu perímetro. Documento de referência
para a conservação do patrimônio urbano, apresenta
uma classificação muito pontual dos imóveis e espaços
de acordo com o grau de interesse próprio de cada um, por sua
concepção arquitetônica, qualidade de tratamento,
seu futuro e autenticidade, e também pela situação
que eles ocupam no tecido urbano. Ele exprime e aplica a política
urbanística do município, que pode intervir nas funções
e morfologia urbanas, nas vias e problemas de estacionamento ou de circulação
e nos equipamentos urbanos.
Extrait des propos de Mme Catherine Bersani, Directeur
de l’architecture et de l’urbanisme au Ministère
de l’Équipement, préface au livre « Les secteurs
sauvegardés », DA/MCC, 1997.
Documento
urbanístico que deve ser elaborado nos setores protegidos e apresentar
nitidamente a indicação dos imóveis e conjuntos
que não devam ser demolidos, modificados ou alienados. Prevê
igualmente as obras visadas para a valorização de certos
bairros.
«Comprendre l’urbanisme», Paul
Boury, Editions du Moniteur, 2ème édition,1980.
Planos diretores
Schémas directeurs / Planos directores / Master Plans
Documentos de planificação urbana, suscetíveis
de serem estabelecidos em aplicação ao Código do
urbanismo, concernentes geralmente a um conjunto de cidades. Podem ser
complementados e precisados por planos setoriais, sobre todo ou uma
parte do território coberto pelo plano diretor.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay, Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
No
Brasil, o plano diretor é o instrumento básico da política
de desenvolvimento e expansão urbana e deve englobar todo o território
do município. O plano diretor é obrigatório para
cidades com mais de vinte mil habitantes, onde o Poder Público
municipal pretenda utilizar os instrumentos previstos para o adequado
aproveitamento do solo urbano, para cidades integrantes de áreas
de especial interesse turístico, ou inseridas na área
de influência de empreendimentos ou atividades com significativo
impacto ambiental de âmbito regional ou nacional.
« Estatuto da Cidade », art.40 e 41
da Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001 (Brasil).
Planos e estudos urbanísticos
Documents d´urbanisme / Planos y estudios urbanísticos
/ Urban planning documents
Os planos e estudos urbanísticos, tanto em nível de planificação
quanto de regulamentação, devem permitir definir orientações
gerais que responderão às necessidades fundamentais que
se apresentam no tempo e no espaço.
Eles compreendem principalmente:
- os planos diretores, que concernem a um conjunto de municípios;
- os planos de ocupação do solo, que concernem a um município
ou parte dele;
- os zoneamentos;
- o plano de proteção e valorização (na
França: PSMV);
- os documentos antigos: cartografia, plantas, maquetes, perspectivas,
cartas postais, fontes impressas, que permitem compreender a lógica
da implantação das cidades antigas e sua evolução.
Planta cadastral
Plan cadastral / Plano de catastro / Land Register Map
Representação cartográfica do conjunto do território
nacional sobre uma base municipal e de acordo com sua divisão
em parcelamentos de propriedade.
« Lexique de termes juridiques », 12ème
édition, Dalloz, 1999.
População
Population / Población / Population
Conjunto de indivíduos que habitam um espaço qualquer,
considerado do ponto de vista da demografia.
Demografia: (démos, povo; graphein, escrever.) Estudo estatístico
dos movimentos da população (natalidade, nupcialidade,
mortalidade, migração etc.) e da composição
por idade, sexo, profissão, religião, local de nascimento,
etc.
« Vocabulaire de la philosophie et des sciences
humaines » de Louis-Marie Morfaux.
Preservação
Préservation / Preservación / Preservation
Conjunto de medidas preventivas que visam proteger de um perigo preciso
ou eventual um sítio, monumento ou uma construção.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Prospective / Prospectiva / Futurology
Pesquisa que visa determinar a evolução provável
ou possível de fenômenos e em seguida estimar qualitativa
e quantitativamente as mudanças suscetíveis de ocorrer,
com certa aproximação na previsão de ocorrência
e tempo, no ou nos domínios em questão.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil international
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Proteção de entorno
Protection des abords / Protección del entorno (de un monumento
histórico) / Protection of surroundings
Servidão exercida sobre uma zona próxima a um monumento
que visa manter e melhorar a qualidade da sua ambiência.
Olivier Godet, architecte, ABF, MRAI, mai 1999.
Proteção de monumentos históricos
Protection des monuments historiques / Protección
de monumentos históricos / Protection of historic monuments
Conjunto de disposições jurídicas, administrativas
e financeiras que permitem situar os monumentos ao abrigo de perigos
de todo tipo, em particular da destruição, e de organizar
os critérios da sua conservação, restauração
e valorização.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Q.

Quarteirão
Ilot / Manzana
E a mais pequena
unidade do espaço urbano inteiramente delimitado por vias. Os
quarteirões são divididos em parcelas, unidade de propriedade
com tamanhos variáveis.
R.

Reabilitação
de um edifício
Réhabilitation d’un édifice / Rehabilitación
de un edificio / Rehabilitation of a building
Obras que visam a recuperação e a reintegração
física de uma construção, uma vez resolvidas todas
as anomalias construtivas, funcionais, de higiene e de segurança
acumuladas ao longo dos anos, e buscam uma modernização
para melhorar o desempenho de suas funções, aproximando-se
dos atuais níveis de exigência.
« Charte de Lisbonne », octobre 1995.
Reabilitação urbana
Réhabilitation urbaine / Rehabilitación urbana / Urban
rehabilitation
É uma estratégia de gestão urbana que permite a
requalificação de uma cidade existente por meio de múltiplas
intervenções, destinadas a valorizar suas potencialidades
sociais, econômicas e funcionais, a fim de melhorar a qualidade
de vida das populações residentes. Esta última
exige a melhoria física do conjunto construído através
da reabilitação e da instalação de equipamentos,
de infra-estrutura e de espaços públicos, conservando
assim a identidade e as características da área em questão.
« Charte de Lisbonne », octobre 1995.
Disposições
adotadas de modo a devolver a uma cidade ou a um conjunto histórico
suas qualidades desaparecidas, sua dignidade, assim como sua aptidão
em desempenhar um papel social.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Procedimentos
que visam a reintegração física de um patrimônio
arquitetônico e urbano por muito tempo desconsiderado, tendo se
tornado recentemente foco de uma revalorização econômica,
prática e/ou estética.
É então o conjunto de obras que visam transformar um local,
um imóvel ou um bairro devolvendo as características que
resgatam o caráter próprio à moradia dentro de
condições satisfatórias de conforto e habitabilidade,
garantindo de maneira sustentável a consolidação
da massa construída e conservando as características arquitetônicas
principais dos edifícios.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay, Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Reciclagem
Recyclage / Reciclaje / Recycling
Recuperação de espaços.
Reconstrução de um edifício
Reconstruction d’un bâtiment / Reconstrucción
de un edificio / Reconstruction of a building
Todas as obras realizadas para refazer total ou parcialmente uma construção
já existente, no lugar que ela ocupa, conservando os aspectos
essenciais do traçado original.
« Charte de Lisbonne », octobre 1995.
Redes
Réseaux / Redes / Networks
Conjunto de linhas, de vias de comunicação, de condutores
elétricos, de canalizações, etc, que servem uma
mesma unidade geográfica.
Le Robert Eléctronique.
Reforma
Réfection / Refacción / Reconditioning
Restabelecimento físico a estado de novo.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Regularização fundiária
Régularisation foncière /
É o procedimento pelo qual se busca tornar lícita, isto
é, amparada pelo Direito, a ocupação da terra nos
casos em que o acesso àquele bem tenha ocorrido de modo irregular.
« Estatuto da cidade; para compreender...
», Isabel Cristina Eiras de Oliveira. - Rio de Janeiro: IBAM/DUMA,
2001.
Reintegração de fachadas
Ravalement / Revoque de fachadas / Façade renovation
Obras de manutenção das fachadas dos imóveis. Todo
trabalho de reforma da parede de uma fachada, como raspagem, limpeza
de pedra, aplicação de um revestimento ou pintura.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay, Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
Remembramento
Remembrement / Concentración parcelaria / Redistribution
of plots
Reagrupamento, reunião de parcelas (terrenos) ou de volumes para
formar propriedades ou conjuntos únicos .
« Vocabulaire International des termes d’Urbanisme
et d’Architecture », Henri-Jean Calsat et Jean Pierre Sydler,
Société de diffusion des Techniques du bâtiment
et des Travaux Publics, 1ère édition, 1970.
Renovação de um edifício
Rénovation d’un bâtiment / Renovación de un
edificio / Renovation of a building
Toda obra que consiste em renovar completamente um edifício em
um lugar já ocupado por construções.
« Charte de Lisbonne », octobre 1995.
Renovação urbana
Rénovation urbaine / Renovación urbana / Urban renovation
Operações de reestruturação. Substituição
sistemática de elementos antigos por novos para responder ou
adequar a uma nova concepção de implantação
ou a novas necessidades.
Regeneração e retorno a estado de novo pela transformação
e substituição de elementos de mesma natureza.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Ação
que implica a demolição de estruturas morfológicas
e tipológicas em um setor urbano degradado e sua conseqüente
substituição por um novo modelo urbano, com novas construções
(pela adoção de tipologias arquitetônicas contemporâneas)
configurando um setor com uma nova estrutura funcional. Hoje, esta estratégia
se desenvolve sobre tecidos urbanos degradados nos quais não
se reconhece valor enquanto patrimônio arquitetônico ou
conjunto urbano a ser preservado.
« Charte de Lisbonne », octobre 1995.
Procedimento
urbanístico que permite engajar uma operação que
compreende a apropriação do solo em um perímetro
definido, a demolição de imóveis (ou sua restauração),
a transferência de moradores e sua reinstalação,
a recuperação do solo e a retrocessão de terrenos.
« Comprendre l’urbanisme », Paul
Boury, Editions du Moniteur, 2ème édition, 1980.
Reordenamento, requalificação
Réaménagement / Reordenamiento / Replanning
Redistribuição de elementos construtivos e equipamentos
de um quarteirão, de um bairro, de uma cidade, que visa um uso
mais satisfatório.
Requalificação urbana
Requalification urbaine / Recalificación urbana / Urban reassesement
Operações realizadas em locais que não são
usados para a habitação. Estas operações
propõem a esses espaços novas atividades mais adaptadas
ao contexto atual.
«Charte de Lisbonne», octobre 1995.
Restauração de um edifício
Restauration d’un édifice / Restauración de
un edificio / Restoration of a building
Trabalhos realizados por especialistas que têm como finalidade
a conservação e a consolidação de uma construção,
assim como a sua preservação. Esse trabalho consiste em
resgatar integral ou parcialmente a sua concepção original
ou os momentos mais significativos da sua história.
«Charte de Lisbonne», octobre 1995.
Uma
operação de restauração consiste em conservar
o estilo próprio do bairro em questão, transformando os
ambientes internos dos edifícios, de maneira a tornar o habitat
moderno e confortável.
André Malraux.
Restabelecimento
integral, da matéria e da forma, de elementos arquitetônicos
ou ornamentos deteriorados ou destruídos, onde restam traços
incontestáveis de autenticidade.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Restauração
será o restabelecimento da substância de um bem em um estado
anterior conhecido.
Art.14. A restauração deve servir para mostrar novos aspectos
em relação à significação cultural
do bem. Ela se baseia no princípio do respeito ao conjunto de
testemunhos disponíveis, sejam materiais, documentais ou outros,
e deve parar onde começa a hipótese.
« Carta de Burra ». ICOMOS, Austrália,
1980.
Restituição
Restitution / Restitución / Reconstruction
- Representação, em desenhos ou maquetes, de um monumento
ou obra, tal e qual existia originalmente.
- Reconstituição da totalidade ou de uma parte de um monumento
ou de uma obra com materiais novos, tal como ele existia, de acordo
com testemunhos materiais complementados por deduções
lógicas.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Revitalização
Revitalisation / Revitalización / Revitalization
Processo que conjuga a reabilitação arquitetônica
e urbana de centros históricos e a revalorização
de atividades urbanas potenciais.
A
revitalização urbana engloba operações destinadas
a reimpulsionar a vida econômica e social de uma parte da cidade
em declínio. Esta noção, próxima à
de reabilitação urbana, se aplica a todas os setores das
cidades com ou sem identidade e características notáveis.
«Charte de Lisbonne», octobre 1995.
A
longo prazo, a meta procurada é a de preservar e reabilitar o
patrimônio do centro histórico devolvendo-lhe sua importância
funcional, suas atividades comerciais e os serviços tradicionais,
facilitando o acesso aos serviços propostos e buscando promover
o uso adequado e a manutenção dos edifícios públicos
e privados, tornando-os atrativos aos visitantes interessados por esse
patrimônio histórico e cultural.
Por exemplo, a estratégia desenvolvida pela empresa « Centro
histórico de Quito pela revitalização do centro
histórico» se apoia sobre:
- a renovação urbana para melhorar a qualidade de vida
da população residente e dos seus usuários ;
- a melhoria da economia, focada no desenvolvimento local, criação
de um clima de confiança e de segurança imprescindível
para a conquista de novos investidores;
- uma participação cidadã, fonte de apropriação
e de identidade cultural, necessária à promoção
das novas atividades a serem desenvolvidas para a revitalização
do centro histórico, e isto, no contexto de uma educação
urbana destinada a introduzir o uso de práticas sociais próprias
ao lugar.
La ciudad en el siglo XXI, empresa « Centro
histórico de Quito », Teodoro Peña, édité
par Eduardo Rojas et Robert Daughters.
A degradação de zonas centrais é referenciada pelos
modelos gerais de obsolescência funcional, física ou econômica
de edifícios e da infra-estrutura. As variações
na combinação desses modelos e suas interações
conduzem a profundas diferenças dentro do impacto de declínio
e do potencial de revitalização dessas áreas.
«Revitalisation urbaine, La ciudad en el siglo
XXI», Eduardo Rojas, BID, édité par Eduardo Rojas
. Eduardo Rojas participou dos seminários Sirchal 1, Paris, maio
1998; Sirchal 2, Quito, novembro 1998 e Sirchal 3, Santiago-Valparaíso,
maio 1999.
S.

Salvaguarda
Sauvegarde / Salvaguardia / Safeguard
Preservação da vida de um monumento, ou conjuntos monumentais,
pela manutenção de suas funções de origem
ou da criação de novas funções do mesmo
gênero.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Entende-se
por salvaguarda qualquer medida de conservação que não
implique a intervenção direta sobre a obra; entende-se
por restauração qualquer intervenção destinada
a manter em funcionamento, a facilitar a leitura e a transmitir integralmente
ao futuro as obras e os objetos definidos nos artigos precedentes [obras
de arte; os conjuntos de edifícios de interesse monumental, histórico
ou ambiental, particularmente os centros históricos; as coleções
artísticas e as decorações conservadas em sua disposição
tradicional; os jardins e os parques considerados de especial importância].
Artigo 4º da « Carta do Restauro »,
Ministério da Instrução Pública, Governo
da Itália, Circular nº 117, de 6 de abril de 1972.
Entende-se
por 'salvaguarda' a identificação, a proteção,
a conservação, a restauração, a reabilitação,
a manutenção e a revitalização dos conjuntos
históricos ou tradicionais e de seu entorno.
Trecho da Recomendação relativa à
salvaguarda dos conjuntos históricos e sua função
na vida contemporânea, Carta de Nairóbi, 26 de novembro
de 1976, Conferência Geral da UNESCO - 19ª sessão.
Servidão administrativa
Servitude administrative /
É ônus instituído pelo Poder Público sobre
imóvel de propriedade alheia – normalmente sobre parte
de –, para assegurar a realização de serviço
público ou preservar bem afetado à utilidade pública.
As faixas de recuo estabelecidas às margens de rodovias e a instalação
de aquedutos em terrenos particulares para aproveitamento de águas
no interesse público são exemplos de servidão administrativa.
« Estatuto da cidade; para compreender...
», Isabel Cristina Eiras de Oliveira. - Rio de Janeiro: IBAM/DUMA,
2001.
Setores protegidos
Secteurs sauvegardés / Sectores protegidos / Safeguarded
sector
São geralmente as cidades históricas, os centros antigos
marcados por uma longa história urbana, os tecidos urbanos excepcionais.
São áreas urbanas que apresentam uma tipologia variada
tanto em porte quanto em morfologia: núcleos urbanos, centros
urbanos, antigas aldeias, bairros. Na França, existem hoje 91
setores salvaguardados que cobrem mais de 5000 hectares de bairros históricos
e onde vivem mais de 800.000 habitantes.
A política de setores salvaguardados tem por objetivo a conservação,
a restauração e a valorização do conjunto
do patrimônio urbano.
« Les secteurs sauvegardés »,
DA/MCC, 1998.
Sítio
Site / Sitio, emplazamiento / Site
Configuração própria a um lugar ocupado pelo estabelecimento
humano.
Petit Larousse 1998
Obra
combinada do homem e da natureza, parcialmente construída e constituída
de um espaço suficientemente característico e homogêneo
para ser objeto de uma delimitação topográfica,
notável por seu interesse histórico, arqueológico,
artístico, científico, social ou técnico.
« Conventions de Grenade (1987) et de Malte
(1996) ».
Lugar
notável, seja por caracterizar-se em uma intervenção
particular ao homem, seja, ao contrário, por uma ausência
total de intervenção, suscetível de ser protegido
em razão de seu interesse.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Sítio inscrito (na França)
Site inscrit (en France) / Sitio inscrito / Listed site (in France)
São suscetíveis de serem inscritos os sítios que,
sem apresentar um valor ou uma fragilidade tal que justifique o seu
tombamento, apresentem interesse que a sua evolução seja
acompanhada de perto . Podem pedir a proteção de um sítio,
tanto o seu proprietário como qualquer pessoa física ou
jurídica: administração pública, particulares,
associação, e também o Estado ou a Comissão
departamental de sítios.
« Encyclopédie du Patrimoine »,
1ère édition, René Dinkel, Les Encyclopédies
du Patrimoine, 1999.
Sítio natural
Site naturel / Sitio natural / Natural site
Sítio reconhecido pela beleza de sua paisagem ou do ponto de
vista da conservação da natureza.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Sítio tombado, sítio classificado (na França)
Site classé (en France) / Sitio classificado / Classified
site
O tombamento de um sítio é reconhecido por decreto ministerial
após um estudo administrativo e acordo ou não-oposição
dos proprietários e parecer da Comissão departamental
dos sítios. Assim que um sítio é tombado, todos
os projetos suscetíveis de modificar o estado do sítio
necessitam de autorização especial emitida em nível
ministerial, após o parecer da Comissão departamental
dos sítios e, para as obras de impacto, da Comissão superior
de sítios.
«Encyclopédie du Patrimoine»,
1ère édition, René Dinkel, Les Encyclopédies
du Patrimoine, 1999
Dossier ANAH : «La réhabilitation en France», juillet
2000.
Sítio urbano
Site urbain / Sitio urbano / Urban site
Sítio onde foi construído um conjunto urbano considerado
como notável.
« Dictionnaire multilingue de l’aménagement
de l’espace », Henri-Jean Calsat, Conseil International
de la langue française, Presses Universitaires de France, 1993.
Sociedade de economia mista (SEM)
Société d’économie mixte (SEM) / Sociedad
de economía mixta / Mixed Ownership Corporation
Sociedade anônima que agrupa pessoas jurídicas de direito
público e pessoas físicas e jurídicas de direito
privado que visa assumir a administração de serviços
públicos de caráter industrial ou comercial ou a realização
de operações de interesse geral (sobretudo operações
urbanas).
« Comprendre l’urbanisme », Paul
Boury, Editions du Moniteur, 2ème édition, 1980.
Mecanismo
de gestão, ágil e eficaz para levar a bom termo ações
junto a numerosos intervenientes de diversos setores, que necessita
de uma estreita colaboração entre entidades públicas
e privadas.
Na
França:
Atores fundamentais do urbanismo e colaboradores privilegiados de administrações
municipais, as sociedades de economia mista (SEM) oferecem aos municípios
a vantagem das sociedades anônimas de direito comercial. Elas
não estão submetidas às regras do direito público,
sujeitas a restrições freqüentes; elas permitem evitar
um aumento excessivo de funcionários públicos; elas garantem
uma abertura aos capitais externos, tanto públicos quanto privados.
« Dictionnaire de l’urbanisme et de
l’aménagement », sous la direction de Pierre Merlin
et Françoise Choay, Presses Universitaires de France, 2ème
édition, 1996. Françoise Choay participou do seminário
Sirchal 2, Quito, novembro 1998.
T.

Taxa
de ocupação (TO)
É a relação proporcional entre a área de
projeção horizontal da edificação e a área
do terreno. A taxa de ocupação (TO) é o parâmetro
urbanístico que define a maior área de projeção
horizontal (área coberta) de uma edificação dentro
de um terreno permitida pela Lei de Uso e Ocupação do
Solo (LUOS) em uma determinada zona urbana.
Taxa de permeabilização (TP)
Índice de proporção relativo a área da parcela
(terreno) que deve ser aplicado para a preservação de
uma superfície suficiente permeável em solo urbano para
o escoamento de água pluvial. Parâmetro urbanístico
que determina a área mínima obrigatória descoberta,
permeável e dotada de vegetação dentro de um terreno
a ser edificado, permitido pela Lei de Uso e Ocupação
do Solo (LUOS) de uma cidade. A área permeável mínima
é dada pela multiplicação da área do terreno
pela taxa de permeabilização (TP).
Tecido urbano
Tissu urbain / Tejido, trama urbana / Urban fabric
Organização espacial e disposição do habitat
e de atividades em uma cidade; distribuição de cidades
em um determinado território.
Petit Larousse, 1998.
Tombamento, classificação (na França)
Classement / Clasificación / Classification
Definição dos graus de intervenção, segundo
certos modelos estabelecidos previamente.
Gustavo Aller, architecte, Montevideo, Uruguay.
Gustavo Aller participou do seminário Sirchal 3, Santiago-Valparaíso,
maio 1999.
Procedimento
de base da política francesa de conservação e proteção
do patrimônio selecionado.
Um imóvel classificado como monumento histórico “
não pode ser destruído ou deslocado, mesmo parcialmente,
nem pode ser objeto de um trabalho de restauração, de
reparação ou de nenhuma modificação sem
o consentimento do ministro encarregado pelos assuntos culturais ”.
As obras são confiadas ao Arquiteto-Chefe de Monumentos Históricos.
Na
França, os monumentos históricos podem ser objeto de inscrição
ou de classificação, sendo a primeira uma simples cautela,
a segunda uma proteção estrita.
A classificação de uma edificação é
instruída em nível regional, submetida à aprovação
da Comissão Regional do Patrimônio e Sítios, e a
decisão é tomada pelo Ministro da Cultura após
a emissão do parecer da Comissão Superior de Monumentos
Históricos.
« La réhabilitation en France : les
outils, les procédures ». Dossier réalisé
par l’Agence Nationale pour l’Amélioration de l’Habitat
(ANAH). Etude réalisée par Nancy Bouché, ICOMOS-France,
juillet 2000.
No
Brasil, existe o conceito específico de "tombamento".
Os sítios e monumentos históricos podem ser objeto de
medidas de proteção em três níveis diferentes:
federal, estadual e municipal, sobrepostas ou não, às
quais pode-se acrescentar, ainda, as medidas resultantes do reconhecimento
como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.
Nos centros antigos os diversos “tombamentos” configuram
perímetros diferenciados de salvaguarda, em alguns casos sobrepostos,
cuja aplicação de regras é própria a cada
nível de proteção.
Os
bens tombados são os bens integrantes do patrimônio cultural
pertencentes à União, Estados e/ou aos Municípios,
inscritos separada ou agrupadamente:
· No Livro do Tombo Arqueológico Etnográfico e
Paisagístico, as coisas pertencentes às categorias de
arte arqueológica, etnográfica, ameríndia e popular
e os monumentos naturais;
· No Livro do Tombo Histórico, as coisas de interesse
histórico e as obras de arte histórica;
· No Livro do Tombo das Belas Artes, as coisas de arte erudita
nacional ou estrangeira;
· No Livro do Tombo das Artes Aplicadas, as obras que se incluírem
na categoria das artes aplicadas, nacionais ou estrangeiras.
As coisas tombadas não podem ser destruídas, demolidas
ou mutiladas. Qualquer obra de intervenção deve obter
prévia autorização pelo órgão competente
responsável (União, Estados, municípios).
Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937,
que organiza a proteção do patrimônio histórico
e artístico nacional, RJ, Brasil.
U.

Urbanismo
Urbanisme / Urbanismo / Urbanism
Arte, ciência e técnica de ordenamento racional de áreas
urbanas e rurais . Conjunto de medidas tomadas para orientar e controlar
a apropriação e uso do solo.
« Encyclopédie du Patrimoine »,
1ère édition, René Dinkel, Les Encyclopédies
du Patrimoine, 1999.
Conjunto
de medidas técnicas, administrativas, econômicas e sociais
que devem permitir um desenvolvimento harmonioso, racional e humano
das aglomerações.
Dictionnaire Larousse, 1998.
Ciência
da organização de cidades.
« Carta de Atenas », 1933.
Ação
deliberada que tende a favorecer ou orientar o crescimento urbano, o
urbanismo irá produzir pressões que exprimirão
em uma linguagem jurídica tanto uma vontade política quanto
uma expressão tática.
Ação de síntese, o urbanismo colocará em
questão diversas disciplinas dentre as quais a arquitetura, a
organização do solo, o direito público e privado,
a sociologia, a economia, a geografia e a geologia.
« Comprendre l’urbanisme », Paul
Boury, Editions du Moniteur, 2ème édition, 1980.
V.

Valorização
Mise en valeur / Valoración / Improvement
Conjunto de ações que interessam a um monumento, um conjunto
monumental, um objeto de arte, uma paisagem, que visem tornar perceptíveis
suas qualidades sem modificá-lo.
Viabilidade
Faisabilité / Factibilidad / Feasibility
Caráter daquilo que é factível, realizável,
levando em consideração as possibilidades técnicas
e comerciais. Estudo de viabilidade, relatório de viabilidade:
estudo que determina a rentabilidade e a possibilidade de realização
de um projeto industrial ou técnico.
« Le Grand Robert de la Langue Française
», Paul Robert, 2ème édition, 1991.
Vizinhança
Voisinage / Vecindad, vecindario / Neighbourhood
Proximidade de moradias suscetíveis de criar elos de interesses
comuns. Um grupo de vizinhança é um grupo formado de indivíduos
em que as relações e contatos se devem à proximidade
espacial e, às vezes, a conscientização da existência
de interesses comuns que os aproxima.
Z.

Zona
de proteção
Secteur patrimonial / Area patrimonial / Heritage sector
Zona do território, e mais particularmente, parte de uma cidade
com características arquitetônicas , espaciais e urbanísticas,
testemunhos de seu desenvolvimento urbano, contribuindo à sua
identidade, com uma forte caracterização que permite diferenciar
este setor do resto da cidade.
Área caracterizada: setor de uma cidade de grande unidade arquitetônica
e urbana.
Gustavo Aller, architecte, Montevideo, Uruguay.
Gustavo Aller participou do seminário Sirchal 3, Santiago - Valparaíso,
maio 1999.
Zona de proteção do patrimônio arquitetônico,
urbano e paisagístico (ZPPAUP)
Zone de protection du patrimoine architectural, urbain et paysager
(ZPPAUP) / Area de protección del patrimonio arquitectónico,
urbano y paisajístico / Protection zone for architectural, urban
and landscape heritage sites
A criação de zonas de proteção do patrimônio
arquitetônico e urbano traz à coletividade local a possibilidade,
baseada no voluntariado e em associação com o Estado,
de definir um perímetro dentro do qual se aplicam regras negociadas.
Elas permitem, de um lado, administrar o conjunto do tecido urbano e,
de outro, conciliar a proteção do traçado antigo
com as adaptações necessárias às demandas
contemporâneas. O resultado é um tecido urbano vivo onde
é evitado o perigo da evolução em direção
a uma “ cidade museu ” onde o custo de gestão é
necessariamente muito alto e a desapropriação por seus
habitantes é um risco. Esse procedimento pode ser estendido à
paisagem com o desenvolvimento de estudos sobre a paisagem como entidade
cultural e econômica, instrumentos de análise e metodologias
de ação.
« La protection des sites et monuments et
la mise en œuvre des ensembles urbains à conserver »,
Contribution au rapport national pour Habitat II, Istanbul, 1997.
Léxico
de siglas francêsas 
ABF
: Architecte de Bâtiments de France
(Arquiteto de edifícios da França)
ANAH
: Agence nationale pour l’amélioration de l’habitat
(Agência Nacional pela melhoria do habitat)
Estabelecimento administrativo público que dispõe do produto
da taxa adicional de direito por arrendamento e que tem por missão
oferecer uma ajuda financeira, sob forma de subvenções,
calculadas de forma pré-fixada, aos proprietários e locatários
de imóveis alugados, que empreendem obras de melhoramento, modernização
e conservação.
Comprendre l’urbanisme, Paul Boury, Editions du Moniteur, 2ème
édition, 1980.
BDU
: Banque de données urbaines
(Banco de dados urbanos)
BID
: Banque Interaméricain de développement
(Banco interamericano de desenvolvimento)
CU
: Code d’urbanisme
(Código de urbanismo)
DAPA
: Direction de l’architecture et du patrimoine
(Direção de arquitetura e patrimônio)
DATAR
: Délégation à l’aménagement du territoire
et à l’action régionale
(Delegação de planejamento territorial e de ação
regional)
DAU
: Direction de l’aménagement et de l’urbanisme
(Direção de planejamento urbano e de urbanismo)
DDE : Directin départementale de l’équipement
(Direção departamental do equipamento)
DRE
: Direction régionale de l’équipement
(Direção regional do equipamento)
FNAH
: Fonds national pour l’amélioration de l’habitat
(Fundo nacional pela melhoria do habitat)
MAE
: Ministère des Affaires Etrangères
(Ministério das Relações Exteriores)
MCC
: Ministère de la Culture et de la Communication
(Ministério da Cultura e da Comunicação)
MELTT
: Ministère de l’Equipement, du Logement, des Transports
et du Tourisme
(Ministério do Equipamento, Habitação, Transportes
e Turismo)
MH
: Monument historique
(Monumento histórico)
OPAC
: Office public d’aménagement concerté
(Escritório público de planejamento concertado)
OPAH
: Opération programmée d’amélioration de
l’habitat
(Operação programada de melhoria do habitat)
Conjunto de medidas que visam rehabilitar e melhorar as moradias, assim
como empreender toda operação de acompanhamento pela qualidade
ambiental.
Comprendre l’urbanisme, Paul Boury, Editions du Moniteur, 2ème
édition, 1980.
PN
: Parc National
(Parque nacional)
PNR
: Parc National régional
(Parque nacional regional)
SD
: Schéma directeur
(Plano Diretor)
SDAU
: Schéma directeur d’aménagement et d’urbanisme
(Plano Diretor de planejamento territorial e de urbanismo)
SEM
: Société d’économie mixte
(Sociedade de economia mista)
UNESCO
: Organisation des Nations Unies pour l’Education, la Science
et la Culture
(Organização das Nações Unidas pela Educação,
Ciência e Cultura)
ZPPAUP
: Zone de protection du patrimoine architectural, urbain et paysager
(Zona de proteção do patrimônio arquitetônico,
urbano e paisagístico)
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